A presença do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas finais da NBA foi recebida com fortes vaias por parte do público que lotava o Madison Square Garden, em Nova York, na noite desta segunda-feira (8). A reação ocorreu quando a imagem do republicano apareceu no telão da arena durante a execução do hino nacional, pouco antes do início do terceiro jogo da série decisiva entre New York Knicks e San Antonio Spurs.
O fato rapidamente se tornou o mais comentados da noite e evidenciou a resistência que Trump ainda enfrenta em uma das cidades mais identificadas com a oposição ao seu governo. Primeiro presidente norte-americano em exercício a assistir presencialmente a uma partida das finais da NBA, ele viu sua participação ser marcada menos pelo simbolismo histórico e mais pela recepção hostil das arquibancadas.
Dentro de quadra, os Spurs derrotaram os Knicks e diminuíram a vantagem dos nova-iorquinos na disputa pelo título. Fora dela, porém, a atenção se voltou para o forte esquema de segurança montado em razão da visita presidencial.
A operação envolveu agentes do Serviço Secreto e da Polícia de Nova York, que estabeleceram um amplo perímetro de segurança ao redor do Madison Square Garden. Ruas foram bloqueadas, o trânsito de veículos e pedestres sofreu restrições e os torcedores precisaram enfrentar longas filas para acessar o ginásio.
Os fãs foram orientados a chegar com até duas horas de antecedência. Além da conferência de ingressos em diferentes pontos de acesso, todos passaram por detectores de metais e procedimentos adicionais de revista. Ainda antes da abertura dos portões, grandes aglomerações já se formavam nos arredores da arena.
As medidas também alteraram a programação tradicional dos playoffs. A popular festa realizada do lado de fora do ginásio para os torcedores que acompanham os jogos em telões foi cancelada por questões de segurança e transferida para o Bryant Park, algumas quadras distante do local. A organização também proibiu a entrada de bolsas no Madison Square Garden durante a partida.
Enquanto Trump assistia ao jogo sob forte proteção, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, adversário político do presidente, acompanhou a partida em um assento comum, ao lado de outros torcedores.
Segundo a Polícia de Nova York, o esquema adotado para a visita presidencial foi semelhante ao utilizado em grandes eventos da cidade, como as celebrações de Ano-Novo na Times Square. A expectativa é que as atividades externas retornem ao normal nos próximos jogos da série.
Não foi a primeira vez que a presença de Trump em um evento esportivo provocou impactos para o público. No ano passado, durante a final masculina do Aberto dos Estados Unidos de tênis, milhares de espectadores enfrentaram filas extensas e perderam o início da partida entre Carlos Alcaraz e Jannik Sinner devido aos protocolos adicionais de segurança.
Apesar dos transtornos, muitos torcedores consideraram que o maior destaque da noite não ocorreu dentro das quatro linhas. Em uma arena lotada e diante de uma das maiores audiências esportivas do país, as vaias dirigidas a Trump acabaram se transformando em uma manifestação pública de descontentamento, roubando parte da cena de uma final histórica para o basquete nova-iorquino.




