O ex-prefeito de Maceió e vereador Rui Palmeira entregou nesta sexta-feira (21) à Polícia Federal novos documentos relacionados aos investimentos do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (IPREV) no Banco Master. Segundo ele, o material pode ajudar a esclarecer a participação de agentes públicos nas operações que envolveram milhões de reais dos recursos previdenciários do município.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Rui afirmou que já havia levado à PF, há quase um ano, as primeiras denúncias sobre o caso. Desta vez, segundo ele, foram apresentados e-mails trocados entre Rony Mota, então presidente do IPREV e aliado do ex-prefeito João Henrique Caldas, o JHC, e uma representante do Banco Master.
“São provas graves que trazem novas e importantes informações para essa investigação”, afirmou Rui.
Entre os documentos entregues está também um demonstrativo oficial do Ministério da Previdência que identifica JHC como representante do IPREV perante o órgão federal no período relacionado às aplicações no Banco Master.
A indicação de JHC como representante institucional, por si só, não comprova que ele tenha autorizado pessoalmente os investimentos ou participado diretamente de cada decisão. Mas, segundo Rui, o documento contradiz a tentativa de afastar completamente o ex-prefeito das responsabilidades relacionadas à estrutura do IPREV durante sua gestão.
“É difícil acreditar que ele faria tudo isso sozinho, sem qualquer indicação da política de investimentos do gestor municipal”, afirma Rui, referindo-se a Rony Mota.
R$ 117 milhões investidos
O IPREV aplicou cerca de R$ 117 milhões no Banco Master. Aproximadamente R$ 97 milhões foram destinados a letras financeiras da instituição, investimentos que posteriormente passaram a ser questionados no âmbito das investigações.
Rui afirma que os e-mails entregues à PF mostram a participação de Rony Mota nas tratativas com o banco e na condução dos aportes. O ex-prefeito também questiona a forma como as operações foram fundamentadas.
Segundo ele, uma nota técnica utilizada para embasar os investimentos teria sido elaborada e assinada pelo próprio Rony Mota, então presidente do instituto. Rui considera inadequado que um documento dessa natureza tenha sido produzido pela própria presidência e afirma que uma análise de risco mais detalhada chegou a ser cobrada posteriormente pela Controladoria-Geral do Município.
Aportes aprovados em reunião de 52 minutos
O vereador já havia criticado a velocidade com que parte dos investimentos teria sido aprovada pelo conselho responsável pelas aplicações do IPREV. Segundo ele, uma reunião de apenas 52 minutos autorizou aportes de aproximadamente R$ 50 milhões em títulos que ele classificou como “letras podres”.
“Um milhão de reais por minuto queimados pela Prefeitura de Maceió”, afirmou.
Na avaliação de Rui, o episódio precisa ser analisado em conjunto com as demais operações realizadas pelo instituto e com os critérios utilizados para escolher o Banco Master.
De acordo com os números apresentados por Rui, as perdas acumuladas pelo IPREV em investimentos considerados de alto risco chegariam a R$ 117 milhões. Ele afirma que o prejuízo representa um impacto direto sobre aposentados e pensionistas do município.
“O rombo é gigantesco para aposentados e pensionistas da Prefeitura de Maceió”, declarou à época.
Investigação está no STF
As aplicações do IPREV no Banco Master são alvo de investigação da Polícia Federal. No curso das apurações, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou mandados de busca e apreensão e o bloqueio de bens de investigados.
A investigação procura esclarecer as circunstâncias dos investimentos, os critérios adotados para a escolha do Banco Master e a possível existência de irregularidades na aplicação dos recursos previdenciários dos servidores municipais.
Ao entregar os novos documentos, Rui afirmou confiar no trabalho da Polícia Federal e disse esperar que o material contribua para esclarecer a cadeia de decisões que levou à aplicação dos recursos.




