Organizações populares, centrais sindicais e coletivos ligados à defesa dos direitos trabalhistas marcaram manifestações em diferentes cidades brasileiras neste fim de semana para cobrar do Congresso Nacional a aprovação da proposta que extingue a escala 6×1 e reduz a jornada semanal de trabalho.
As mobilizações são coordenadas pelas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, em parceria com o movimento Vida Além do Trabalho (VAT). Os atos devem ocorrer em capitais e municípios como Salvador, Belém, Brasília, Curitiba, Recife, Fortaleza, Campinas, Manaus, Cuiabá, Maringá, Paranavaí e Rio de Janeiro.
A mobilização acontece em meio ao avanço da proposta no Congresso. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, declarou que a matéria deverá ser apreciada nos próximos dias. A iniciativa conta com apoio de parlamentares alinhados ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de movimentos sociais. Já integrantes da oposição defendem alterações no texto, sobretudo em relação às regras de transição.
A leitura do parecer do relator da proposta na comissão especial, o deputado federal Leo Prates, estava prevista para quarta-feira (20), mas foi adiada para segunda-feira (25).
Nos bastidores da discussão, parlamentares do Centrão e de partidos de direita chegaram a apresentar, no último dia 14, uma emenda à PEC 221/2019 propondo um período de transição de até dez anos para a implementação da redução da jornada. A proposta autorizava carga semanal de até 52 horas e ampliava a possibilidade de acordos individuais entre empregadores e trabalhadores sobre normas previstas na legislação trabalhista.
Após forte repercussão negativa, líderes dessas siglas retiraram apoio à emenda.
A expectativa dos movimentos é impedir mudanças que atrasem os efeitos da proposta para os trabalhadores. Os movimentos também criticam a ideia de uma transição prolongada e afirmaram que a medida precisa gerar impactos imediatos na rotina da população.
Trabalhadores rebatem argumentos de setores que apontam possíveis prejuízos econômicos com o fim da escala 6×1. Segundo eles, estudos indicam que a redução da jornada pode contribuir para geração de empregos e aumento da produtividade.




