A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal avançou nesta quarta-feira (29) após uma votação apertada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O placar de 16 votos favoráveis a 11 contrários colocou o nome do indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre os mais contestados entre sabatinas recentes para a Corte.
A deliberação ocorreu após cerca de oito horas de questionamentos, em uma sessão marcada por tensão política e forte mobilização do governo para garantir apoio. Mesmo com a aprovação, o resultado evidenciou resistências dentro do Senado, especialmente entre parlamentares ligados à oposição e ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que não demonstrou engajamento público na candidatura.
O desempenho de Messias na comissão ficou abaixo de outras aprovações recentes. O atual ministro Flávio Dino obteve 17 votos na CCJ, enquanto André Mendonça teve 18. Já Gilmar Mendes registrou o mesmo número de apoios que o indicado de Lula, mas em um contexto político distinto.
Durante a sabatina, Messias adotou uma estratégia de aproximação com setores críticos ao Supremo, defendendo maior autocontenção da Corte e a criação de mecanismos que reforcem a imparcialidade do Judiciário. Também sinalizou posições conservadoras em temas sensíveis e buscou reduzir resistências entre senadores de perfil mais alinhado ao bolsonarismo.
Apesar dos acenos, o cenário segue indefinido no plenário do Senado, onde são necessários ao menos 41 votos, em votação secreta, para confirmar a indicação. Nos bastidores, a expectativa do governo é de um placar apertado, resultado de uma articulação que envolveu liberação de emendas parlamentares, negociações por cargos e mudanças na composição da própria comissão.
Caso seja aprovado, Messias ocupará a vaga deixada por Luís Roberto Barroso e poderá permanecer na Corte por até 29 anos, até atingir a aposentadoria compulsória aos 75 anos, em 2055.




