Durante sua participação na cúpula do G7, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu uma mudança na lógica do crescimento econômico global, argumentando que o desenvolvimento mundial passa pela ampliação do mercado consumidor em países emergentes. Segundo ele, é necessário investir em regiões como a América Latina e a África para incorporar milhões de pessoas ao consumo e impulsionar a economia internacional.
Lula também criticou os gastos militares das grandes potências. De acordo com o presidente, cerca de US$ 3 trilhões foram destinados a armamentos e conflitos no último ano, enquanto uma parcela muito menor foi aplicada em ações para combater a fome, o analfabetismo e promover o desenvolvimento econômico. Para ele, recursos utilizados em guerras poderiam ser direcionados para reduzir desigualdades e estimular o crescimento de países em desenvolvimento.
Outro tema central de sua participação no encontro foi a transformação digital e os desafios impostos pelo avanço da inteligência artificial. Lula destacou duas iniciativas adotadas pelo Brasil: a proibição do uso de celulares nas escolas e a criação da chamada ECA Digital, voltada à proteção de crianças e adolescentes no ambiente online.

Em debates com empresários do setor de tecnologia, o presidente levantou questionamentos sobre os impactos da inteligência artificial no futuro do trabalho. Lula afirmou que, embora a tecnologia tenha potencial para revolucionar áreas como saúde, educação e indústria, também pode provocar a eliminação de milhões de empregos.
Segundo ele, os governos precisarão assumir a responsabilidade de amparar trabalhadores afetados pelas mudanças tecnológicas. O presidente alertou para o risco de formação de um “exército de excluídos”, composto por pessoas que não conseguirem se adaptar às novas exigências do mundo digital.Lula também chamou atenção para as desigualdades entre países no acesso à infraestrutura necessária para o desenvolvimento da inteligência artificial. Ele observou que os data centers exigem grande capacidade energética, preferencialmente baseada em fontes renováveis, realidade ainda distante de boa parte das nações em desenvolvimento.
Nesse contexto, o presidente defendeu um debate internacional sobre soberania digital e proteção de dados. Segundo ele, a expansão das grandes empresas de tecnologia levanta dúvidas sobre quem controlará e armazenará as informações estratégicas de cada país.
Ao abordar a regulação das plataformas digitais, Lula defendeu regras mais rígidas para combater crimes praticados na internet. Para o presidente, agressões, violência, assédio e desinformação no ambiente virtual devem receber tratamento semelhante ao dos crimes cometidos fora das redes.
“O problema não é econômico, é político. Quem tem que dar resposta são os presidentes e primeiros-ministros dos países”, afirmou.
Na área internacional, Lula também comentou a guerra entre Rússia e Ucrânia. O presidente afirmou ter tido sua melhor conversa até agora com o presidente ucraniano, o que, segundo ele, indica uma maior disposição das partes para discutir um cessar-fogo e buscar uma saída negociada para o conflito.

O brasileiro voltou a defender que os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França — assumam protagonismo na construção de um acordo de paz. Segundo Lula, essas potências possuem a responsabilidade e os instrumentos necessários para liderar as negociações.
O presidente afirmou ainda que pretende retomar o diálogo com os líderes desses países para reforçar a necessidade de um cessar-fogo e de uma solução diplomática para a guerra, destacando que o mundo demonstra sinais cada vez maiores de desgaste diante da continuidade do conflito.




