spot_img

Líderes do PT defendem investigação sobre Jaques Wagner e cobram apuração sem privilégios, diz Mônica Bergamo

Integrantes influentes do Partido dos Trabalhadores passaram a defender que o senador Jaques Wagner (PT-BA) seja investigado de forma rigorosa após seu nome surgir entre os alvos de uma operação da Polícia Federal realizada nesta quinta-feira (18). As informações foram divulgadas pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.

De acordo com a publicação, dirigentes e parlamentares petistas afirmam que não há espaço para proteção política ou tratamento diferenciado diante das suspeitas apuradas pelas autoridades. Nos bastidores, parte da legenda também considera que Wagner deveria deixar temporariamente a liderança do governo no Senado até que os fatos sejam esclarecidos.

A operação da Polícia Federal investiga o suposto envolvimento do senador com Augusto Lima, ex-sócio do empresário Daniel Vorcaro. Durante as diligências, agentes encontraram US$ 55 mil e 33 mil euros em endereços ligados ao parlamentar.

Vice-líder do governo na Câmara, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) afirmou à coluna que eventuais irregularidades devem ser apuradas independentemente de filiação partidária. Segundo ele, o chamado escândalo envolvendo o Banco Master não pode ser atribuído ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas qualquer integrante do partido que tenha se beneficiado de esquemas irregulares deve responder perante a Justiça.

Em manifestação nas redes sociais, Correia reforçou que a orientação do presidente Lula sempre foi permitir que as investigações avancem “doa a quem doer”, defendendo que a apuração seja levada até as últimas consequências.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) adotou posicionamento semelhante. Em declaração enviada à coluna, afirmou que qualquer pessoa que tenha cometido erros deve responder por seus atos e ressaltou que o governo federal não interfere no trabalho da Polícia Federal. Para ele, as investigações devem prosseguir sem seletividade, independentemente dos envolvidos.

Lindbergh também reagiu às manifestações de adversários políticos e voltou a cobrar explicações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a relação com o empresário Daniel Vorcaro, citando o pedido de recursos para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A reportagem informa ainda que houve desconforto interno no PT após o presidente nacional da sigla, Edinho Silva, divulgar nota em defesa de Jaques Wagner logo após a operação policial. Na avaliação de alguns parlamentares, a manifestação foi precipitada e enfraquece o discurso do partido de que todas as denúncias devem ser investigadas sem distinção.

Segundo um deputado ouvido reservadamente pela colunista, as informações já conhecidas sobre a relação entre Wagner e Augusto Lima tornam inadequada qualquer tentativa de minimizar o caso antes da conclusão das apurações. Para esse grupo, a postura adotada por Edinho dificulta a estratégia política do PT de manter críticas aos adversários envolvidos em investigações semelhantes.

Outro aliado do presidente Lula afirmou à Folha que o governo precisa preservar a narrativa de independência da Polícia Federal e demonstrar, na prática, que ninguém está acima das investigações, inclusive pessoas próximas ao próprio presidente da República.

Até o momento, não há acusação formal nem condenação contra Jaques Wagner. As investigações seguem em andamento e caberá às autoridades determinar se houve ou não prática de irregularidades.

Leia Também

- Publicidade -spot_img
- Publicidade -spot_img

Últimas dos Blogs