Por Prof. Dr. Cláudio Jorge Gomes de Morais
Na última sexta-feira, 16 de maio de 2026, às 10h00, no IFAL de Satuba, houve o lançamento oficial do livro do diácono Álvaro Queiroz, intitulado De Deodoro a Lula: Uma História da República Brasileira. Na ocasião, o evento contou com a presença da diretoria, do corpo docente e do corpo discente. Foi um momento memorável, com uma palestra sobre Os Caminhos da República no Brasil e, em seguida, música da MPB que acompanhou toda a sessão de autógrafos.
Com maestria e competência no domínio da historiografia brasileira, sem perder de vista o rigor teórico e metodológico de um autêntico pesquisador, a obra oferece um percurso inédito da história do Brasil. Álvaro Queiroz traz à luz do presente a possibilidade concreta de pensar uma história sempre atual, a partir do diálogo permanente entre as categorias de temporalidade histórica, sem cometer anacronismos e indo além do relativismo historicista na tessitura histórica.
Álvaro Queiroz interpreta de forma lúcida a República Velha, a Era Vargas, a República Liberal Populista, o Regime Militar e a Nova República, de modo contextualizado e atualizado. Dessa forma, o diácono Álvaro Queiroz inicia o livro com o advento da Proclamação da República e vai além da habitual cronologia positivista. Analisa a forma golpista com que foi instituída a República, sob liderança do Marechal Deodoro da Fonseca, e o desdobramento dessa ação na história republicana brasileira, que não efetivou uma mudança estrutural mesmo após a organização do Estado nacional. Teve como ponto culminante a chamada República dos Fazendeiros, de 1894 a 1930, que trouxe a particularidade do coronelismo, muito bem analisada por Álvaro Queiroz.

Como analisa Álvaro Queiroz, a Era Vargas é tratada como um divisor de águas na história brasileira. É o momento em que há uma guinada para o processo de modernização do país, em detrimento da lógica latifundiária que centralizava o poder a partir da Revolução de 1930, configurando um novo itinerário do sistema de produção capitalista. De 1937 a 1945, Vargas dá um golpe e governou como ditador. O Integralismo ganha força e o Partido Comunista é perseguido durante a ditadura varguista, que utilizou de forma efetiva os meios de comunicação para doutrinação da sociedade brasileira. Com o fim da ditadura varguista em 1945, o Brasil retoma uma fase de estabilidade política e redireciona o país a uma nova relação com os Estados Unidos.
Assim, com a ascensão de Juscelino, há uma reorganização das forças produtivas para consolidar a estrutura capitalista, perceptível no Plano de Metas, que ofereceu ao Regime Militar as condições favoráveis para a implementação de uma modernização autoritária. O golpe militar de 1º de abril de 1964 encerrou o regime democrático que, embora limitado, prevalecia no Brasil desde 1945, após a ditadura getulista. O governo ditatorial, para se manter no poder, promoveu intensa perseguição a trabalhadores, religiosos, sindicalistas e artistas. O 1º de abril de 1964 também desenvolveu uma política alinhada a Washington, que consolidava o apoio à direita brasileira e, por conseguinte, o estrangulamento dos movimentos sociais.

No último capítulo, Álvaro Queiroz narra o período recente da história brasileira após o regime autoritário civil-militar, entre 1964 e 1985, que vislumbrava uma sociedade efetivamente democrática, fundada na Constituição cidadã de 1988. Com os resquícios do Regime Militar de 1964, a Nova República seria testada por movimentos antidemocráticos na tentativa de articular mais um golpe contra as instituições democráticas do Brasil.
Sendo assim, Álvaro Queiroz nos dá a possibilidade concreta de interpretar a nossa história a contrapelo para melhor projetar o nosso futuro. Um livro que já nasceu clássico pela profundidade e pelo alcance de sua pesquisa e é indicado a todas as pessoas que desejam conhecer a nossa história republicana na contemporaneidade.




