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“Fui contratada porque fazia mais pontos, sou de esquerda e você vai ter que aguentar”, diz Joanna Maranhão após ataque xenofóbico

A ex-nadadora olímpica Joanna Maranhão voltou a denunciar episódios de racismo e xenofobia enfrentados por sua família na Europa. Morando há cerca de três anos e meio em Potsdam, na Alemanha, ao lado do marido, o ex-judoca Luciano Corrêa, e do filho Caetano, de 6 anos, a atleta revelou que a criança sofreu um ataque xenofóbico dentro da escola onde estuda.

Segundo Joanna, o menino, que está no primeiro ano da escola primária, contou que um colega afirmou que chamaria a polícia para deportar seus pais “de volta para o país deles”. O comentário deixou Caetano abalado e com medo de ser separado da família.

A atleta relatou que precisou explicar ao filho que aquilo não aconteceria. Depois do episódio, ela procurou a direção da escola, que se comprometeu a discutir o tema com os alunos e ampliar medidas de combate ao racismo e à xenofobia.

Para Joanna, o caso também carrega um forte componente racial. “O Caetano não se parece fisicamente com a média do alemão. Meu marido é um homem negro e eu sou uma mulher parda”, afirmou.

A ex-nadadora disse ainda que situações semelhantes acompanham a família desde o período em que moravam na Bélgica. Em um dos episódios citados, Luciano Corrêa foi acusado injustamente de ter roubado um carrinho utilizado para transportar crianças em bicicletas.

Preferiram concluir que um homem negro havia roubado o carrinho do que acreditar que ele estava levando o próprio filho”, relatou Joanna.

Ela também afirmou que o marido já sofreu outros ataques racistas na Alemanha, inclusive diante do filho do casal. Além das situações presenciais, a atleta é alvo frequente de ofensas nas redes sociais.

Em uma das mensagens recebidas, um internauta escreveu que ela deveria “volta para o seu pais, pro Nordeste. Não pense que é bem vinda no Sul, Sudeste e Centro Oeste, porque tampouco é, curte o governo que elege no nordeste lá tem bolo no chão pra comer”.

Joanna respondeu publicamente ao ataque e rebateu o comentário lembrando sua trajetória vitoriosa na natação brasileira. Em tom firme, afirmou que morou em cidades do Sudeste porque foi contratada por clubes da região graças ao desempenho esportivo que alcançou ao longo da carreira.

Quando eu morei no Sudeste, eu morei em Belo Horizonte, no Rio de Janeiro e em São Paulo, é porque eu fui contratada por clubes dessas regiões, porque eu fazia muito ponto, porque eu nadava mais rápido que todas as outras meninas do Brasil todinho, inclusive meninas do Sudeste”, declarou.

A atleta também ressaltou suas origens pernambucanas e afirmou que continuará defendendo suas posições políticas, mesmo vivendo fora do Brasil.

O clube precisava de alguém que nadasse mais rápido e que fizesse mais ponto. E aí foi essa pernambucana, lá de Recife, que vota na esquerda, que vota desde a primeira vez que tirou um título de eleitor e vai seguir como imigrante votando na esquerda”, afirmou.

Joanna ainda ironizou o agressor ao dizer que, mesmo se obtiver cidadania alemã no futuro, seguirá se considerando brasileira e participando das eleições do Brasil.

Mesmo quando eu tiver um passaporte alemão, vou continuar sendo brasileira e votando na esquerda. E você vai ter que aguentar”, completou.

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