O ex-prefeito de Maceió, Rui Palmeira, apresentou documentos que colocam o ex-prefeito João Henrique Caldas, o JHC, diretamente no debate sobre os investimentos do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (IPREV) no Banco Master.
Segundo Rui, um documento oficial do Ministério da Previdência identifica JHC como representante do IPREV no período em que o instituto realizou aplicações no banco. A informação é importante porque JHC tem se esquivado de responsabilidades sobre as operações.
“Fica aí, porque o papo de hoje é muito sério. É denúncia grave”, afirma Rui ao apresentar a documentação.
O IPREV aplicou cerca de R$ 117 milhões no Banco Master. Parte desses recursos, aproximadamente R$ 97 milhões, foi aplicada em letras financeiras do banco e passou a ser alvo de investigação da Polícia Federal.
Rony Mota aparece na condução da operação
Rui afirma que Rony Mota, então presidente do IPREV, participou ativamente das tratativas envolvendo os investimentos.
Segundo o ex-prefeito, o processo é composto por troca de e-mails entre Rony Mota, sua chefe de gabinete e representantes do Banco Master, além de despachos e documentos que teriam servido para autorizar as operações.
“Não é uma troca qualquer. É uma sequência de e-mails, avalizando cada milhão que seria colocado no banco”, afirma Rui.
Outro ponto levantado pelo ex-prefeito diz respeito à nota técnica que embasou a operação. Segundo Rui, em vez de ser elaborada por um técnico da área, a própria presidência do instituto teria produzido e assinado o documento.
“Uma nota técnica deveria ser feita por um técnico. É óbvio, mas no IPREV quem fez e assinou a nota técnica foi o próprio presidente do IPREV, Rony Mota”, diz.
Rui também questiona a ausência de uma análise de risco compatível com o tamanho da operação. Segundo ele, o documento posteriormente chegou a ser cobrado pela Controladoria-Geral do Município.
Quem decidiu colocar R$ 117 milhões no Master?

É justamente nesse ponto que o nome de JHC ganha importância no relato apresentado por Rui.
De um lado, Rony Mota aparece como personagem central na execução administrativa das operações. De outro, segundo Rui, um documento oficial do Ministério da Previdência aponta João Henrique Caldas como representante do IPREV.
“Mas em outro documento que eu recebi, olha só quem aparece como responsável pelo IPREV junto ao Ministério da Previdência, no arquivo oficial do Ministério da Previdência. E tá aqui: aplicação no Banco Master. E o representante é João Henrique Caldas”, afirma.
A indicação de JHC como representante institucional, por si só, não comprova que ele tenha autorizado pessoalmente os investimentos ou participado diretamente de cada decisão. Mas, segundo Rui, o documento contradiz a tentativa de afastar completamente o ex-prefeito das responsabilidades relacionadas à estrutura do IPREV durante sua gestão.
“É difícil acreditar que ele faria tudo isso sozinho, sem qualquer indicação da política de investimentos do gestor municipal”, afirma Rui, referindo-se a Rony Mota.
Investigação da Polícia Federal
As aplicações do IPREV no Banco Master estão no centro de uma investigação da Polícia Federal. A operação autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, resultou em mandados de busca e apreensão e no bloqueio de bens de investigados.
A apuração busca esclarecer as circunstâncias dos investimentos, os critérios utilizados para a escolha do Banco Master e a eventual existência de irregularidades na aplicação dos recursos previdenciários dos servidores de Maceió.
Rony Mota esteve entre os alvos da operação.

O caso agora ganha uma nova frente de questionamento com o documento apresentado por Rui Palmeira. Se Rony Mota era quem conduzia diretamente as operações no IPREV, qual era exatamente o papel de JHC como representante do instituto junto ao Ministério da Previdência?
É essa resposta que Rui cobra — e que os documentos, as investigações e os envolvidos precisarão esclarecer.




