O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu nesta quarta-feira (17) reduzir a taxa básica de juros da economia brasileira em 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,5% para 14,25% ao ano. Trata-se da terceira redução consecutiva desde o início do ciclo de flexibilização monetária promovido pelo Banco Central.
A decisão foi unânime entre os integrantes presentes da diretoria da autoridade monetária. O colegiado voltou a se reunir com número reduzido de membros, já que duas cadeiras permanecem vagas. Das oito reuniões previstas para este ano, metade ocorreu com quórum incompleto. O próximo encontro está marcado para os dias 4 e 5 de agosto.
Apesar do novo corte, o Banco Central evitou sinalizar qual será o ritmo das próximas decisões. No comunicado divulgado após a reunião, o Copom afirmou que a extensão do ciclo de redução dos juros dependerá da evolução dos indicadores econômicos e das novas informações sobre o comportamento da inflação.
O processo de queda da Selic começou em março, quando a taxa estava em 15% ao ano. Desde então, o comitê promoveu três cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual. Na reunião anterior, realizada em abril, os diretores já haviam indicado a intenção de prosseguir com ajustes graduais, sem assumir compromissos sobre futuras reduções.

A decisão desta quarta-feira estava alinhada às expectativas predominantes do mercado financeiro. Levantamento da agência Bloomberg mostrou que 31 das 34 instituições consultadas projetavam uma diminuição de 0,25 ponto percentual, enquanto apenas três apostavam na manutenção dos juros em 14,5%.
O cenário internacional também influenciou as discussões. Mais cedo, o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve sua taxa básica entre 3,5% e 3,75% ao ano durante a primeira reunião presidida por Kevin Warsh. A decisão ocorreu mesmo diante da pressão do presidente Donald Trump por uma redução mais agressiva dos juros americanos.
Com a manutenção da taxa nos Estados Unidos, a diferença entre os juros brasileiros e americanos permanece em 10,5 pontos percentuais.
Nas últimas semanas, os mercados acompanharam ainda os desdobramentos das negociações entre Estados Unidos e Irã. Um acordo preliminar para a reabertura do estreito de Hormuz contribuiu para a queda do preço do petróleo, que chegou a ser negociado abaixo de US$ 80 pela primeira vez desde março. Ainda assim, as incertezas geopolíticas continuam elevadas após declarações de Trump indicando a possibilidade de retomada dos bombardeios na região.
Além das tensões externas, o Banco Central observou um ambiente doméstico mais desafiador, marcado pela alta dos juros futuros e pela deterioração das expectativas inflacionárias.
Nas projeções utilizadas pelo Copom, a estimativa para a inflação de 2026 avançou de 4,6% para 5,2%. Para 2027, a previsão passou de 3,5% para 3,7%.
Tradicionalmente, o Banco Central direciona suas decisões para a inflação projetada em horizontes mais longos. Desta vez, porém, o comitê informou ter adotado uma trajetória alternativa para a política monetária, com redução mais gradual dos juros, buscando assegurar que a inflação converja para a meta no primeiro trimestre de 2028.
A mudança ocorre porque, a partir da próxima reunião, esse período passará a ser a principal referência para as decisões do colegiado. Segundo a avaliação apresentada, uma postura mais rígida para atingir exatamente a meta ao fim de 2027 poderia resultar em inflação abaixo do desejado nos primeiros meses de 2028.
O Copom também destacou que suas projeções estão cercadas por um nível de incerteza superior ao habitual, especialmente devido aos riscos associados a choques de oferta e à dificuldade de estimar seus efeitos futuros sobre os preços.
A meta oficial de inflação definida pelo Banco Central permanece em 3% ao ano, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Pelo sistema atual, o objetivo é considerado descumprido quando a inflação acumulada permanece por seis meses consecutivos fora dessa faixa.
Os dados mais recentes reforçam as preocupações da autoridade monetária. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE na semana passada, alcançou 4,72% no acumulado de 12 meses até maio, ultrapassando o teto da meta pela primeira vez desde outubro do ano passado.

As expectativas do mercado também seguem distantes do centro da meta. De acordo com o boletim Focus, a projeção para a inflação deste ano está em 5,3%. Para 2027, a estimativa chegou a 4,10%, enquanto para 2028 avançou para 3,68%, indicando que os agentes econômicos ainda enxergam dificuldades para o retorno da inflação aos níveis desejados pelo Banco Central.




