As fortes chuvas que atingem Pernambuco desde a sexta-feira (1º) já provocaram um cenário de destruição e emergência em diversos municípios. De acordo com o mais recente balanço da Defesa Civil estadual, divulgado neste sábado (2), ao menos 2.190 pessoas foram obrigadas a deixar suas casas — sendo 1.096 desabrigadas e 1.094 desalojadas.
O número de vítimas fatais chegou a quatro, com registros nas cidades do Recife e de Olinda. Há ainda cinco pessoas feridas em decorrência dos temporais.
Na capital pernambucana, um deslizamento de barreira no bairro Dois Unidos, na zona norte, resultou na morte de uma jovem de 25 anos e de seu filho, de apenas 7. Outros dois integrantes da família — o pai e um segundo filho — foram socorridos para uma unidade de saúde, sem atualização oficial sobre o estado clínico.
Já em Olinda, no bairro Passarinho, equipes de resgate localizaram os corpos de uma mulher de 20 anos e de um bebê de seis meses, vítimas de outro deslizamento de terra.
Além das mortes confirmadas, uma ocorrência envolvendo o possível afogamento de um idoso mobiliza equipes de busca nas proximidades do Rio Beberibe, também na capital. As operações enfrentam dificuldades devido à força da correnteza e às condições climáticas adversas.
As chuvas intensas também provocaram uma série de situações de risco. Entre a tarde de sexta e a manhã deste sábado, o Corpo de Bombeiros registrou 23 casos de pessoas ilhadas, com 149 resgates realizados nesse intervalo. No total da operação, já são 39 ocorrências atendidas e 489 pessoas retiradas de áreas de perigo.
As ações de resgate e assistência se concentram principalmente em bairros do Recife, além de regiões de Olinda e de Jaboatão dos Guararapes, onde há registros de alagamentos e isolamento de moradores.
O impacto das chuvas se espalha por diferentes municípios do estado. O Recife lidera o número de desabrigados, com 671 pessoas e dois óbitos. Em Olinda, são 170 desabrigados, cinco feridos e duas mortes. Já Goiana concentra o maior número de desalojados, com 994 pessoas, além de 146 desabrigados. Outras cidades afetadas incluem Paulista, Camaragibe, Igarassu, Limoeiro e Timbaúba.
Como resposta emergencial, foram distribuídos itens básicos às famílias atingidas, incluindo colchões, lençóis, kits de limpeza e de higiene.Segundo a Agência Pernambucana de Águas e Clima, o sistema meteorológico responsável pelas chuvas ainda atua sobre o estado, embora apresente tendência de enfraquecimento gradual ao longo do dia. A previsão indica pancadas de intensidade moderada a forte na Mata Norte, enquanto a Região Metropolitana deve registrar chuvas de menor intensidade até o período da noite.
Mesmo com a melhora parcial das condições, o Recife permanece em estado de alerta. Autoridades monitoram o risco de novos alagamentos, agravados pela combinação entre chuva acumulada e maré alta.
Nas últimas 24 horas, os maiores volumes de chuva foram registrados no Recife, com 146 milímetros, seguido por municípios como Glória do Goitá, Camaragibe, Moreno e Cabo de Santo Agostinho, todos com índices acima de 137 milímetros — patamar considerado elevado e suficiente para provocar transtornos severos em áreas urbanas e de encosta




