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Carta de democratas nos EUA cita ligação de aliado de Trump com grupo terrorista colombiano

Um grupo de parlamentares do Partido Democrata enviou uma carta a integrantes do governo dos Estados Unidos manifestando preocupação com o apoio declarado do presidente Donald Trump ao candidato colombiano de extrema direita Abelardo de la Espriella, apontado pelas pesquisas como favorito na disputa presidencial que será decidida neste domingo.

O documento, obtido pelo jornal espanhol El País, foi encaminhado ao secretário de Estado, Marco Rubio, ao secretário do Comércio, Scott Bessent, e ao procurador-geral interino, Todd Blanche. Além de questionar o apoio público de Trump ao candidato, os congressistas pedem que as autoridades americanas investiguem seu histórico e suas relações políticas e financeiras.

Em vez de fazer campanha para ele, nosso governo deveria examinar seus vínculos com uma organização terrorista designada e com um indivíduo acusado de lavagem de dinheiro, bem como possíveis irregularidades financeiras relacionadas a empresas sediadas na Flórida e transações imobiliárias”, afirma a carta, liderada pelo deputado Jesús “Chuy” García, de Illinois, e assinada por outros dez integrantes da ala progressista do Partido Democrata.

Segundo os parlamentares, De la Espriella mantém ligações com integrantes das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), organização paramilitar responsável por massacres, assassinatos, desaparecimentos forçados, torturas, violência sexual e tráfico internacional de drogas. As AUC foram classificadas pelos Estados Unidos como organização terrorista estrangeira em 2001.

Na carta, os congressistas afirmam que o candidato teria fundado e liderado uma organização financiada pelas AUC para ampliar a influência social e política do grupo. O documento também sustenta que De la Espriella atuou contra a extradição de líderes paramilitares para os Estados Unidos e defendeu medidas que poderiam beneficiar integrantes da organização acusados de crimes graves.

Seu histórico altamente preocupante parece contrariar os interesses e, potencialmente, as leis dos Estados Unidos”, escreveram os parlamentares.

Além das alegações envolvendo as AUC, a carta cita a antiga relação profissional de De la Espriella com o empresário colombiano-venezuelano Alex Saab, acusado pela Justiça americana de participação em esquemas de lavagem de dinheiro. Os congressistas afirmam que existem indícios de movimentações financeiras suspeitas ligadas a empresas sediadas na Flórida e a transações imobiliárias milionárias realizadas pelo candidato e por familiares.

De acordo com o documento, De la Espriella e sua esposa estariam vinculados a pelo menos 14 empresas registradas na Flórida. Os parlamentares argumentam que algumas operações envolvendo imóveis nos Estados Unidos merecem apuração para verificar a origem dos recursos utilizados. Embora reconheçam que os bens possam ter sido adquiridos legalmente, defendem que o conjunto de informações disponíveis justifica uma investigação aprofundada por parte das autoridades americanas.

Outro ponto destacado pelos democratas é o apoio público recebido pelo candidato por parte de Trump e de parlamentares republicanos. Os signatários classificam como “particularmente alarmante” o envolvimento de autoridades americanas na disputa colombiana e acusam o governo dos EUA de interferir em um processo eleitoral estrangeiro.

Segundo a carta, Trump teria sugerido que a Colômbia poderia perder apoio econômico, comercial e de segurança dos Estados Unidos caso De la Espriella não seja eleito. Para os parlamentares, esse tipo de manifestação representa uma pressão indevida sobre o eleitorado colombiano.

Essa interferência direta de autoridades americanas nas eleições democráticas de outro país é incompatível com os princípios consagrados da soberania nacional e da não interferência, bem como com o direito internacional”, afirma o documento.

A carta foi enviada poucos dias antes da votação que definirá o sucessor do presidente colombiano Gustavo Petro e amplia a controvérsia em torno da participação de autoridades americanas na reta final de uma das eleições mais polarizadas da história recente da Colômbia.

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