O pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado mudou o tom do discurso em relação ao caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro após o impacto político provocado pelas revelações sobre o financiamento do filme ligado à família Bolsonaro.
Quando o Intercept Brasil divulgou o áudio em que Flávio aparece cobrando recursos de Vorcaro para patrocinar o longa-metragem sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, pré-candidatos da direita passaram a fazer críticas mais duras e explícitas ao senador e ao desgaste provocado pela ligação com o empresário investigado por fraudes envolvendo o Banco Master. Caiado, porém, evitou naquele momento entrar diretamente no confronto político.
O cenário começou a mudar após a divulgação de pesquisas eleitorais que mediram os efeitos da crise. Levantamento do instituto Atlas apontou crescimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas intenções de voto e queda de Flávio Bolsonaro, que passou a aparecer sete pontos atrás do petista após um período de empate técnico entre os dois nomes.
A pesquisa também mostrou avanço de outros presidenciáveis da direita, entre eles o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, além de crescimento de outros concorrentes do campo conservador. Caiado, entretanto, não acompanhou o movimento e também perdeu pontos no levantamento.
Nos bastidores, aliados avaliam que o resultado da pesquisa aumentou a pressão para que Caiado endurecesse o discurso e buscasse se afastar do desgaste provocado pelo caso Vorcaro. A fala desta quarta-feira (20), durante a 27ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, foi interpretada como um recado indireto a Flávio Bolsonaro.
Sem citar o senador nominalmente, Caiado afirmou que pessoas “contaminadas” não teriam condições morais de ocupar a Presidência da República nem autoridade para confrontar ministros do STF ou integrantes do Congresso Nacional. Em outro trecho, disse que Vorcaro estaria “contaminando todos os Poderes”.
Após o discurso, jornalistas questionaram se as declarações tinham como alvo Flávio Bolsonaro. Caiado evitou confirmar diretamente, mas reforçou que qualquer candidato ao Palácio do Planalto precisa apresentar independência moral e capacidade de preservar a ordem institucional do país.
O episódio envolvendo Flávio Bolsonaro foi agravado depois que veio a público a informação de que o senador visitou Vorcaro em 2025, quando o ex-banqueiro cumpria prisão domiciliar no âmbito da operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de irregularidades financeiras e fraudes relacionadas ao Banco Master. Depois da repercussão, Flávio confirmou o encontro e alegou que a conversa tratava do encerramento das negociações de financiamento do filme biográfico sobre Jair Bolsonaro, mas não convenceu ninguém.




