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Brasil sobe no ranking de liberdade de imprensa, enquanto mundo registra pior índice em 25 anos

A liberdade de imprensa atravessa um dos momentos mais críticos das últimas décadas no mundo. Relatório divulgado nesta quinta-feira (30) pela Repórteres Sem Fronteiras aponta que a média global de pontuação dos países atingiu o nível mais baixo em 25 anos, consolidando uma tendência de deterioração contínua das condições para o exercício do jornalismo.

Em entrevista à Agência Brasil, o diretor da entidade para a América Latina, Artur Romeu, afirmou que o recuo não é pontual, mas resultado de um processo gradual de enfraquecimento das garantias à imprensa em diversas regiões do planeta — inclusive em democracias consolidadas.

Segundo ele, embora a queda não tenha sido abrupta de um ano para outro, a curva histórica revela um declínio constante. “Estamos diante de um cenário muito ruim, de deterioração global das condições para o exercício do jornalismo”, avaliou.

O levantamento destaca que o problema deixou de estar restrito a regimes autoritários. Em países democráticos, práticas como assédio a jornalistas, campanhas de deslegitimação da mídia e a disseminação de desinformação vêm ganhando espaço e enfraquecendo o ambiente informativo.

Para Romeu, a construção de uma narrativa que trata profissionais de imprensa como “inimigos” tem se espalhado e contribuído para um ambiente mais hostil. “Esse tipo de discurso vai se enraizando e contaminando diferentes sociedades, tornando o trabalho jornalístico mais difícil”, explicou.

No continente americano, a situação também inspira preocupação. Países como Estados Unidos, Argentina, Peru e Equador registraram deterioração recente.

Na Argentina, declarações e medidas do presidente Javier Milei — como o fechamento da agência pública Télam e restrições ao acesso de jornalistas à Casa Rosada — foram citadas como exemplos de retrocesso. Já no Peru e no Equador, episódios de violência, incluindo assassinatos de jornalistas, agravaram o cenário.

O México permanece como o país mais perigoso para a imprensa nas Américas, com mais de 150 profissionais mortos desde 2010, reflexo de um ambiente marcado por violência extrema em diversas regiões.

Na contramão da tendência global, o Brasil aparece como uma das exceções. Desde 2022, o país avançou 58 posições no ranking da organização.

Recomendações: ação ativa dos governos

Para reverter a tendência de queda, a RSF defende que os governos assumam um papel mais ativo na proteção da imprensa. A simples ausência de censura, segundo a entidade, já não é suficiente.

Entre as medidas sugeridas estão a criação de políticas públicas de proteção a jornalistas, o desenvolvimento de marcos regulatórios para plataformas digitais e inteligência artificial, além de incentivos ao fortalecimento do pluralismo e da diversidade nos meios de comunicação.

“O Estado precisa atuar de forma proativa para garantir um ambiente mais seguro e favorável ao jornalismo”, concluiu Romeu.

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