O mercado de trabalho formal brasileiro apresentou forte recuperação em março, com a criação de 228,2 mil vagas com carteira assinada, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O desempenho supera com folga o registrado no mesmo mês de 2025, quando foram abertas 79 mil vagas.
O resultado também ficou acima das projeções do mercado financeiro. Levantamento da Reuters junto a economistas estimava a geração de cerca de 150 mil postos formais no período.
No detalhamento do mês, o país registrou aproximadamente 2,5 milhões de admissões frente a 2,2 milhões de desligamentos. Com isso, o saldo acumulado em 12 meses chegou a 1,1 milhão de empregos formais, elevando o estoque total para 49 milhões de vínculos ativos.
O setor de serviços liderou a criação de vagas, com 152 mil novos postos, impulsionado principalmente pelas atividades administrativas (38,7 mil) e pelos segmentos de saúde humana e serviços sociais (22,3 mil). Na sequência, aparecem a construção civil, com 38,3 mil vagas, e a indústria, que abriu 28,3 mil postos no mês.
Na contramão, a agropecuária foi o único segmento com desempenho negativo, registrando fechamento de 18 mil vagas. O recuo foi puxado, sobretudo, pelas culturas de maçã, soja e laranja.
O recorte regional mostra crescimento mais intenso em estados do Norte e Nordeste. Acre liderou com alta de 0,92% no total de empregos formais, seguido por Roraima (0,88%) e Piauí (0,86%). Já Alagoas apresentou desempenho ruim, com retração de 1,10%, acompanhado por Mato Grosso (-0,17%) e Sergipe (-0,09%).
No acumulado do primeiro trimestre, o comércio foi o único setor com saldo negativo, registrando perda de 19 mil vagas, influenciada principalmente pelo desempenho fraco nos segmentos de vestuário e calçados. Por outro lado, Goiás (2,33%), Mato Grosso (2,27%) e Santa Catarina (2,26%) lideraram o crescimento proporcional de empregos no período.
Os números do emprego são divulgados em meio às discussões sobre política monetária. A expectativa do mercado é de que o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil, reduza a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, passando de 14,75% para 14,5%.
A condução da taxa Selic tem sido alvo de críticas dentro do governo federal. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, avalia que o nível elevado dos juros ao longo de 2025 contribuiu para a desaceleração do emprego formal, embora reconheça sinais recentes de recuperação no acumulado do ano.




