Bilhetes com ameaças de ataque, referências ao nazismo e relatos de bullying mobilizaram equipes da Polícia Militar em uma escola da rede municipal de Coruripe, no Litoral Sul de Alagoas, nesta quarta-feira (27).
As mensagens foram encontradas na Escola Municipal de Educação Básica José de Carvalho Souza. De acordo com informações apuradas, os bilhetes escritos à mão circulavam dentro da unidade quando a direção decidiu acionar as forças de segurança.
Um dos textos mencionava a possibilidade de um massacre na escola e fazia referências a situações de preconceito e bullying. A mensagem ainda citava a data “27 de maio” como suposto dia para o ataque, o que aumentou a preocupação entre funcionários, estudantes e familiares.
O segundo bilhete, encontrado posteriormente, dizia que tudo não passava de uma mentira e orientava que o conteúdo fosse entregue à direção da unidade.
Após ser chamada, a Polícia Militar realizou diligências no local e identificou uma estudante como possível autora de um dos bilhetes. A corporação informou que ocorrências envolvendo ameaças em escolas são tratadas como prioridade, sobretudo diante do aumento de episódios semelhantes registrados no país nos últimos anos.
O caso de Coruripe acontece poucos dias após outra ocorrência envolvendo referências nazistas em uma escola pública de Alagoas.
Em Penedo, um adolescente de 14 anos foi apreendido após denúncias apontarem comportamento suspeito dentro de uma unidade municipal de ensino. Segundo a polícia, com o jovem foram encontrados uma faca, luvas, capuz e materiais com símbolos associados ao nazismo. A investigação teve início depois de pichações e relatos feitos por integrantes da comunidade escolar.
Nos últimos anos, o Brasil registrou uma sequência de casos que transformaram a violência escolar em pauta permanente das autoridades. Em 2023, operações policiais foram realizadas simultaneamente em diversos estados para impedir possíveis atentados planejados por adolescentes em grupos da internet. Em muitas investigações, autoridades identificaram conteúdos relacionados ao nazismo, misoginia, culto a massacres internacionais e incentivo à violência extrema.
Especialistas apontam que incidentes como o de Coruripe exigem resposta rápida das forças de segurança, mas também políticas permanentes de acompanhamento psicológico, combate ao bullying e monitoramento de conteúdos violentos consumidos por crianças e adolescentes.
Embora nem toda ameaça resulte em ação concreta, investigadores avaliam que a banalização desse tipo de mensagem gera medo coletivo, compromete o ambiente escolar e pode servir como teste para atos mais graves no futuro. Por isso, protocolos de prevenção e investigação passaram a ser adotados com maior rigor em escolas públicas e privadas de todo o país.




