Novas suspeitas de corrupção envolvendo integrantes do governo do presidente argentino Javier Milei ganharam força após o avanço de investigações judiciais e o surgimento de depoimentos comprometedores. As informações foram divulgadas pelo jornal espanhol El País.
No centro das denúncias está o chefe de gabinete, Manuel Adorni, que voltou a falar com a imprensa após mais de um mês de silêncio. Ele rejeitou irregularidades relacionadas ao seu patrimônio, mas, paralelamente à sua declaração, o processo que apura possível enriquecimento ilícito registrou novos desdobramentos.
Um empreiteiro ouvido pela Justiça afirmou ter recebido cerca de US$ 245 mil em dinheiro vivo, sem emissão de nota fiscal, por obras de alto padrão em um imóvel ligado a Adorni. O serviço incluiria reformas estruturais, instalação de piscina aquecida, jacuzzi e elementos de luxo no jardim. A declaração reforça suspeitas sobre a origem dos recursos utilizados.
A investigação ocorre em meio a questionamentos sobre a evolução patrimonial do chefe de gabinete desde que assumiu funções no governo. Com remuneração considerada limitada para o padrão das aquisições, ele teria comprado imóveis, realizado viagens frequentes e acumulado dívidas expressivas em moeda estrangeira.
A coletiva de imprensa de Adorni coincidiu com a reabertura da Casa Rosada aos jornalistas, após um período de dez dias de restrição de acesso imposto pelo Executivo sob alegações de segurança. Mesmo com a retomada, o funcionamento segue com limitações.
Enquanto isso, outro foco de investigação atinge a empresa estatal Nucleoeléctrica Argentina, responsável pela operação das usinas nucleares do país. Relatórios oficiais apontam despesas consideradas irregulares realizadas com cartões corporativos da companhia.
Os dados indicam gastos que somam cerca de 443 milhões de pesos, distribuídos em mais de 20 países, incluindo despesas com hotéis de luxo, restaurantes, serviços pessoais, compras em lojas e saques em dinheiro. As movimentações envolveriam aproximadamente 100 cartões vinculados a funcionários de alto escalão.
Diante das revelações, um parlamentar da oposição apresentou denúncia à Justiça solicitando apuração de possível desvio de recursos públicos. Entre os citados estão o próprio Adorni, o ministro da Economia, Luis Caputo, e o ex-dirigente da estatal, Demian Reidel.
O caso se soma a uma sequência de episódios que vêm desgastando o governo Milei, incluindo investigações sobre patrimônio não declarado de outros integrantes da administração, concessão de empréstimos públicos a autoridades e suspeitas envolvendo operações financeiras e contratos na área da saúde.
Segundo o El País, o acúmulo de denúncias tem impactado a percepção pública sobre o governo, ampliando a pressão política.




