Há dores que nenhuma palavra alcança. Algumas atravessam o tempo, rompem a lógica e se instalam no lugar mais profundo do existir. A perda de um filho é assim — não se explica, não se supera, apenas se carrega. Nesta segunda-feira (4), a deputada federal Heloísa Helena se vê diante desse abismo sem nome: a morte de seu filho, Sacha de Moraes Carvalho, aos 42 anos, após uma parada cardiorrespiratória.
Durante dez dias, houve espera, esperança e luta. Internado no Hospital Municipal Miguel Couto, na zona sul do Rio de Janeiro, Sacha esteve cercado por cuidados intensivos, por mãos que tentaram sustentar o que os mistérios da vida, por vezes, insiste em levar. A confirmação de sua partida veio como chegam as notícias que ninguém está preparado para receber: rasgando o silêncio e deixando um vazio que não se mede.
Como mãe, como mulher e como alagoana, ecoa também em mim essa perda. É uma dor que ultrapassa qualquer distância e se reconhece no outro, no amor que nos constitui e, inevitavelmente, nos torna vulneráveis.
A Rede Sustentabilidade, partido da parlamentar, informou que a despedida ocorrerá no Rio de Janeiro, em cerimônia reservada, marcada pelo silêncio necessário a um adeus profundamente íntimo. Nesse contexto de recolhimento, Heloísa Helena também fez questão de reconhecer o trabalho das equipes de saúde que acompanharam seu filho, em um gesto que preserva, em meio ao sofrimento mais intenso, a dimensão humana que sempre acompanhou sua trajetória pública.
Sei que diante desse tipo de perda as palavras se tornam pequenas. Porque de todas as feridas que a vida pode abrir, esta não fecha. Ela se transforma em saudade permanente, em presença na ausência, em amor que já não encontra corpo, mas insiste em existir. Porque um filho nunca parte por inteiro — permanece, de algum modo, dentro do peito de quem fica, habitando para sempre o lugar onde o amor nunca morre.
Findo desejando que a dor que hoje a atravessa encontre, com o tempo, algum amparo humano possível. Solidariedade à Heloísa Helena.
*Este texto reflete a visão pessoal do autora.




