O Comitê de Política Monetária decidiu nesta quarta-feira (29) reduzir a taxa básica de juros da economia em 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,75% para 14,50% ao ano. A medida já era amplamente esperada pelo mercado financeiro, mesmo em um ambiente internacional marcado por incertezas crescentes.
A decisão ocorre em meio à escalada de tensões no Oriente Médio, fator que tem pressionado a inflação global e elevado a volatilidade nos mercados. No comunicado oficial, o colegiado destacou que o cenário externo segue instável, com dúvidas sobre a duração e os impactos econômicos dos conflitos, o que exige prudência por parte de economias emergentes como o Brasil.
O Banco Central do Brasil indicou que, apesar das incertezas, optou por dar continuidade ao processo de redução dos juros, iniciado após um período prolongado de política monetária restritiva. Segundo a avaliação da autoridade monetária, os efeitos desse ciclo mais duro já começam a aparecer na desaceleração da atividade econômica, abrindo espaço para ajustes graduais.
A instituição também sinalizou que futuras decisões dependerão da evolução do cenário internacional e doméstico, especialmente do comportamento da inflação. O entendimento é que o ritmo e a duração dos cortes poderão ser recalibrados conforme novas informações tragam maior clareza sobre os riscos externos e seus reflexos nos preços.
Mesmo com a redução da Selic, o Banco Central revisou para cima sua projeção de inflação. A estimativa agora aponta para alta de 4,6% em 2026, acima do teto da meta estabelecida, o que reforça a necessidade de cautela na condução da política monetária.
No mercado financeiro, as expectativas também têm passado por revisões. Dados do boletim Focus mostram que, embora ainda haja previsão de novos cortes ao longo do ano, cresce a percepção de que os juros devem permanecer em patamares mais elevados do que se projetava anteriormente, em razão do ambiente global adverso e das pressões inflacionárias persistentes.




