Candidato do MDB ao governo de Alagoas, Renan Filho afirma em entrevista a TV Gazeta que sua motivação para disputar um terceiro mandato é levar o estado a uma nova etapa de desenvolvimento. Segundo ele, Alagoas conseguiu superar um período de dificuldades financeiras e hoje reúne condições para avançar ainda mais.
“E o que eu quero fazer agora? Dar um novo salto. Se a gente tirou Alagoas das últimas posições em várias áreas e colocou para cima, agora Alagoas tem que brigar pela ponta”, afirmou.
A fala está diretamente relacionada a uma das principais marcas de suas gestões: a recuperação da capacidade fiscal do Estado. O diagnóstico encontrado no início de 2015 apontava para uma situação de elevado endividamento e pouca capacidade de investimento. O Tribunal de Contas da União classificava o cenário fiscal de Alagoas como um dos principais obstáculos à realização de investimentos necessários ao desenvolvimento.
A mudança começou com um ajuste fiscal e com uma revisão das dívidas do Estado. Segundo levantamento divulgado pela Secretaria da Fazenda, Alagoas saiu de um déficit acumulado de R$ 548 milhões entre 2011 e 2014 para um superávit de R$ 943 milhões. A avaliação também apontou que a capacidade de pagamento do Estado melhorou de nota C para B.
Houve ainda uma atuação para reduzir o peso da dívida com a União. Em 2018, uma decisão do ministro Edson Fachin assegurou uma redução de aproximadamente R$ 1 bilhão no estoque da dívida, depois que o Estado questionou a cobrança de juros sobre valores que sustentava já terem sido pagos. A economia estimada chegava a R$ 50 milhões por ano.
A renegociação também produziu efeitos expressivos no fluxo de pagamentos. Com o alongamento das dívidas previsto pela Lei Complementar 156/2016, Alagoas obteve uma economia estimada em R$ 2,5 bilhões entre 2016 e 2022.
O resultado mais concreto dessa mudança apareceu justamente na capacidade de investir. Entre 2015 e 2021, o governo estadual informou ter realizado mais de R$ 8,6 bilhões em investimentos, equivalentes a 14% do PIB de Alagoas. Somente em 2021 foram R$ 3,6 bilhões, e o Estado registrou o maior percentual de investimentos com recursos próprios entre as unidades da Federação, segundo os dados apresentados pela Sefaz.
É esse processo que ajuda a explicar a afirmação de Renan Filho de que Alagoas deixou de ser um Estado sem recursos para investir e passou a ter condições de executar uma agenda própria de desenvolvimento.
Da organização fiscal ao desenvolvimento
Para Renan Filho, a melhora das contas públicas não teve finalidade apenas contábil. A organização fiscal criou espaço para investimentos em áreas estratégicas como saúde, educação, segurança e infraestrutura.
“Eu fui um governador que fez uma transição num estado do improviso, da falta de recursos para tudo, para um estado que passou a investir seus próprios recursos”, afirmou.
A transformação também alcançou a economia. O candidato destaca a melhoria da infraestrutura, a redução da violência, a atração de novas indústrias e a diversificação da agricultura, com estímulo às cadeias do leite, da carne e do coco.
Na segurança pública, outro indicador reforça a tese de avanço apresentada pelo candidato: os Crimes Violentos Letais Intencionais caíram de 2.187 em 2012 para 948 em 2025, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas.
O desafio que Renan Filho coloca para um eventual terceiro mandato, portanto, é diferente daquele enfrentado no início de sua trajetória no governo. A prioridade, segundo ele, não seria apenas tirar Alagoas de posições ruins, mas utilizar a estrutura fiscal, administrativa e de investimentos construída ao longo dos últimos anos para disputar a liderança em diferentes áreas.
“Nós temos um bom time técnico, temos relevância em Brasília e temos condição de avançar decisivamente”, declarou.
A proposta de “novo salto” parte, assim, de uma premissa: primeiro foi preciso reorganizar as contas, reduzir o peso da dívida e recuperar a capacidade de investimento; depois vieram grandes obras e políticas públicas; agora, Renan Filho apresenta a ideia de usar essa base para colocar Alagoas entre os estados que mais avançam.




