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Arapiraca investiga surto de coqueluche com três casos confirmados e 33 contatos monitorados

Vigilância Epidemiológica ampliou a investigação após identificar casos ligados a ambientes familiar e de trabalho; pacientes estão estáveis e um deles já recebeu alta hospitalar

A Secretaria Municipal de Saúde de Arapiraca confirmou a existência de um surto de coqueluche em investigação no município. Até esta quinta-feira (20), três pessoas tiveram diagnóstico laboratorial confirmado e outras 33 estão sendo acompanhadas pela Vigilância Epidemiológica por terem mantido contato próximo com os pacientes.

O alerta epidemiológico foi emitido pela Secretaria Municipal de Saúde após a identificação de uma cadeia de transmissão envolvendo ambientes domiciliar e profissional. A investigação permanece em andamento para determinar a dimensão do surto e verificar a existência de novos casos.

O primeiro paciente confirmado é um homem de 40 anos, sem comorbidades relatadas. Os primeiros sintomas surgiram em 13 de julho, inicialmente com quadro semelhante a uma gripe e tosse. Mesmo após atendimento médico realizado em 28 de julho, ele continuou apresentando tosse seca e produtiva, falta de ar e dor no peito.

Em 30 de julho, o paciente realizou um teste rápido em uma farmácia, que apontou resultado detectável para vírus sincicial respiratório (VSR). O quadro, porém, evoluiu. A partir de 10 de agosto, a tosse passou a apresentar características típicas de coqueluche.

Dois dias depois, durante nova avaliação médica, o homem apresentou tosse convulsa, queda da oxigenação do sangue e episódios de desmaio. Por causa da gravidade, precisou ser internado. A suspeita de coqueluche foi posteriormente confirmada pelo Laboratório Central de Saúde Pública de Alagoas (Lacen/AL), que detectou a bactéria Bordetella pertussis em exame realizado em 16 de agosto.

Outros dois casos foram identificados entre contatosCom a confirmação do primeiro diagnóstico, as equipes de saúde iniciaram o rastreamento das pessoas que tiveram contato próximo com o paciente. Inicialmente, 22 contatos foram identificados. Seis apresentavam tosse e tiveram amostras coletadas em 18 de agosto para análise laboratorial.

No dia seguinte, os exames confirmaram outros dois casos.Um deles é um homem de 35 anos, sem comorbidades informadas, que trabalha no mesmo ambiente do primeiro paciente. Segundo a investigação, ele teve contato com o caso inicial em 10 de agosto e começou a apresentar tosse cinco dias depois, em 15 de agosto.

O terceiro caso é uma mulher de 38 anos, esposa do primeiro paciente e, portanto, contato domiciliar direto. Ela também não possui comorbidades relatadas.

Após as novas confirmações, a investigação foi ampliada. Mais nove contatos foram identificados a partir do caso domiciliar e outros dois relacionados ao ambiente profissional. Com isso, chegou a 33 o número total de pessoas atualmente monitoradas.

Pacientes estão estáveis

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o primeiro paciente concluiu o tratamento, apresentou evolução clínica favorável e recebeu alta hospitalar em 19 de agosto. Os outros dois casos confirmados permanecem clinicamente estáveis, em isolamento domiciliar e sob tratamento e acompanhamento das equipes de saúde.

A Prefeitura caracteriza o episódio como um surto de coqueluche com transmissão associada aos ambientes familiar e ocupacional. A vigilância continua realizando busca ativa de pessoas com sintomas, rastreamento de contatos e investigação de possíveis novos vínculos epidemiológicos.

Também está sendo avaliada a necessidade de quimioprofilaxia para os contatos considerados prioritários. Aqueles que apresentam indicação já começaram a receber o esquema recomendado.

Doença é altamente transmissível

A coqueluche é uma infecção respiratória causada pela bactéria Bordetella pertussis. A doença pode atingir pessoas de qualquer idade e costuma provocar crises intensas de tosse, especialmente na forma paroxística.

A transmissão ocorre principalmente por meio de gotículas respiratórias liberadas durante a tosse, espirro ou fala de uma pessoa infectada. O contato próximo é considerado o principal fator de risco para disseminação.

O período de incubação costuma variar de cinco a dez dias, embora possa ficar entre quatro e 21 dias. Em situações menos frequentes, os sintomas podem aparecer até 42 dias depois da exposição.

Bebês, principalmente os menores de um ano, estão entre os grupos mais vulneráveis às complicações e às formas graves da doença.

Sintomas exigem atenção

A Secretaria Municipal de Saúde orienta que os serviços mantenham atenção especial diante de quadros de tosse persistente ou em crises, especialmente quando acompanhados de guincho inspiratório, vômitos após a tosse, coloração arroxeada da pele, pausas respiratórias ou engasgos.

No caso de pessoas que tiveram contato próximo com um paciente confirmado, qualquer tosse deve ser investigada, independentemente do tempo de duração.

A recomendação é que casos suspeitos sejam comunicados imediatamente à Vigilância Epidemiológica e ao CIEVS, permitindo que a investigação e as medidas de controle sejam iniciadas rapidamente.

Vacinação é uma das principais formas de prevenção

A Secretaria Municipal de Saúde também reforçou a necessidade de verificar e atualizar a situação vacinal da população, principalmente entre crianças e gestantes.

A vacinação com dTpa durante cada gestação é considerada uma medida fundamental para proteger os bebês nos primeiros meses de vida, período em que eles apresentam maior risco de complicações.

As equipes também estão realizando visitas a unidades de saúde e aos locais de trabalho relacionados aos casos confirmados. Nesses espaços, são reforçadas orientações sobre identificação de sintomas, notificação, prevenção e controle da transmissão, além da busca ativa de pessoas que estejam apresentando tosse.

A investigação conta com a participação da Secretaria Municipal de Saúde de Arapiraca, da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas e do Lacen/AL. A vigilância permanecerá ativa até que seja possível delimitar a extensão do surto e interromper a cadeia de transmissão.

  • Imagem Ilustrativa

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