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A MAÇONARIA BRASILEIRA E A EVASÃO DE OBREIROS

Por José Firmino de Oliveira M∴M∴

A Maçonaria chegou ao Brasil em 1797, quando sua primeira Loja foi instalada em Salvador, a Loja Maçônica Cavaleiros da Luz. Hoje, a Maçonaria brasileira conta com mais de 6.000 Lojas, distribuídas nas três principais potências existentes no país. A Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil (CMSB), potência que tem o maior número de lojas, 2.650; o Grande Oriente do Brasil (GOB), segunda maior potência, com 2.500 lojas e a Confederação Maçônica do Brasil (COMAB), terceira potência nesse ranking, com cerca de 850 Lojas.

Estima-se que as Lojas maçônicas brasileiras abriguem, atualmente, mais de 199.000 maçons. Desses, cerca de 110.000 são membros da Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil (CMSB); 60.000 são filiados ao Grande Oriente do Brasil (GOB) e os 29.000 restantes, filiados à Confederação Maçônica do Brasil (COMAB), potência que reúne os Grandes Orientes independentes dos vários estados brasileiros.

De início, cabe esclarecer que os números relacionados às Lojas maçônicas e aos seus obreiros, nem sempre correspondem aos números reais. Bem assim, existem contradições em relação às datas de instalações de Lojas e de importantes eventos maçônicos do passado.

Dito isto, é de se destacar o fato de que o número de maçons e de Lojas registrados no Brasil coloca a maçonaria brasileira como a terceira maior nação maçônica do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos da América, onde a Maçonaria se instalou na década de 1730, e hoje tem cerca de 1.500.000 maçons e da Inglaterra, onde a Maçonaria moderna chegou em 24 de junho de 1717 e tem um quadro social composto por mais de 200.000 obreiros.

No Brasil, como dito no prelo desta peça de arquitetura, a Maçonaria chegou em 1797, tem 6.000 Lojas e um quadro social composto por cerca de 199.000 maçons. Convém destacar, como já foi dito no item anterior, que esses números colocam o Brasil em terceiro lugar, no ranking das maçonarias do mundo.

Por sua vez, as Lojas Maçônicas com suas estruturas de organização administrativa, cargos, hierarquia de graus e espaço físico dos seus templos, causam preocupação aos seus administradores, exigindo desses dedicação, competência administrativa e zelo. Outrossim, observa-se que a preocupação maior dos Grão-Mestres, dos Veneráveis e dos demais maçons responsáveis pela administração da Maçonaria, tem sido a EVASÃO de obreiros, que vem ocorrendo há décadas.

É de se reconhecer que essa preocupação das autoridades maçônicas tem razão de existir, na medida em que o esvaziamento da Maçonaria a enfraquece e esse enfraquecimento a faz perder importante espaço no meio social profano. Por consequência, é posto em risco o seu legado milenar e a sua capacidade de luta em defesa da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Resta-lhe, como se vê, a tarefa de executar o seu principal objetivo, que é promover o aprimoramento moral, ético, social e espiritual dos seus membros. Mas, por certo, para cumprir com excelência essa tarefa é necessário que a Ordem tenha à sua disposição, um grande número de bons e dedicados maçons.

Por sua vez, esse problema da evasão tem sido objeto de estudo constante, com a finalidade de encontrar uma solução capaz de estancar essa perigosa sangria, retendo-se os maçons nas suas Lojas e expandindo-se os quadros de obreiros das Lojas. É imperioso alertar a todos, para o fato de que para o projeto de combate à evasão de obreiros ter êxito, necessário se faz que os maçons realmente comprometidos com a Maçonaria, estejam engajados nesse propósito e assim, unidos e dispostos, combater, com confiança, força e firmeza, a evasão.

Sobre as causas responsáveis pelo esvaziamento da Maçonaria, os estudos realizados apontam como principais, os CONFLITOS INTERNOS – criados por desentendimentos e vaidades; a FALTA DE DINAMISMO operacional – com reuniões repetitivas e realizadas sem planejamento; a FALTA DE TEMPO DO OBREIRO – sem tempo o obreiro tem dificuldade de conciliar sua vida pessoal, profissional e familiar, e os CUSTOS FINANCEIRO – as altas despesas arcadas pelos membros da Loja têm sido apontadas como um motivo justificador para o afastamento.

Tem-se, ao final, a EVASÃO INVISÍVEL. Esse tipo de evasão se dá quando o maçom permanece cadastrado na Loja, mas deixa de frequentá-la e de participar das suas atividades. Ela é apontada como uma importante forma de esvaziamento das Lojas, já que é o tipo de evasão que tem causado o maior número de baixas na Maçonaria

Com base neste último item, cabe pedir aos Grão-mestres, aos Veneráveis, aos Vigilantes e Chanceleres, para que alguma providência, visando solucionar o problema da evasão de obreiros, seja urgentemente tomada. Esse pedido é feito a essas autoridades porque são elas as responsáveis pelo bom funcionamento das Lojas, pela expansão dos seus quadros sociais e pelos bons serviços prestados à sociedade em geral, hoje e ao longo dos Séculos, pela Maçonaria.

Feita esta exposição, surgem algumas perguntas importantes. Vejamos quais são: O problema da evasão já foi levado a debate, na sua Loja? O Venerável Mestre da sua Loja já formou um grupo de maçons, de reconhecida capacidade conciliadora, para atuar na busca de solução dos conflitos internos? As pautas das reuniões da sua Loja estão sendo planejadamente elaboradas? As reuniões da sua Loja estão sendo realizadas com dinamismo? A situação dos obreiros faltosos da sua Loja está sendo cuidadosamente estudada, tanto em relação à disponibilidade de tempo desses obreiros, quanto em relação às suas finanças?

Por fim, é de se perguntar: A Chancelaria da sua Loja está acompanhando com cuidado especial a frequência dos irmãos faltosos? Pois, é necessário ficar atento às frequências principalmente dos irmãos que sempre estiveram presentes nas reuniões e nas atividades da Loja e que, de repente, faltaram a uma reunião e a um evento, em seguida faltaram a outra reunião e a outro evento e depois a mais outra reunião e outro evento e continuam faltando. Aí está um forte sinal de que a permanência desse irmão na Loja está sob sério perigo.

É prudente chamar a atenção para o fato de que o registro de frequência somente tem importância se funcionar como uma ferramenta de alerta. De sorte que é dever da Chancelaria observar as ausências sucessivas dos obreiros e, através de relatório escrito, levar esse fato ao conhecimento do Venerável Mestre e do Grupo responsável pela expansão e retenção de obreiros, para que essas autoridades procurem os irmãos faltosos e lhes perguntem, com discrição e sem cobrança, se está tudo bem com eles e com suas famílias e se estão precisando de alguma ajuda.

É bom lembrar que a fraternidade entre irmãos é um dever imposto aos maçons, pela Ordem e que o ato de procurar saber a causa da ausência do irmão e se ele e a sua família estão bem e, se necessário, ajudá-lo através da Loja, é um exemplar ato de fraternidade. Caso sua Loja não esteja procedendo assim, ela está passando, aos irmãos faltosos, a mensagem de que as suas ausências não estão sendo notadas e eles não têm nenhuma importância para aquela oficina e para aquele grupo. Isso, com certeza, é um motivo sobejamente justificável para esses irmãos pedirem os seus afastamentos da Maçonaria.

Diante desse relato, fica claro, pelo menos para mim, que já passou da hora dos Grão-mestrados e das Lojas Maçônicas darem real atenção à frequência dos seus filiados e, de logo, definirem quantas ausências serão necessárias para que seja mantido o primeiro contato pessoal com o irmão faltoso e, em persistindo essa situação, fazer tantos outros contatos presenciais quantos forem necessários, objetivando trazer de volta esse irmão para o convívio maçônico em Loja.

Finalmente, ao encerrar essa peça de arquitetura, quero lembrar aos seus leitores que não podemos e nem devemos nos esquecer de que o maior patrimônio da Maçonaria são os seus membros. Eles são o ativo intangível da Ordem e têm um valor incalculável. São portadores de um grande cabedal de conhecimentos; possuidores de extraordinárias habilidades; detentores de muita sabedoria e de extraordinária competência, além de possuírem singular capacidade de inovação. Resta, portanto, afirmar que a Maçonaria não pode, não deve e não tem o direito de desprezar ou se desfazer desse magnífico e valoroso capital humano, ao contrário, tem a obrigação inquestionável de protegê-lo e bem aproveitá-lo.

José Firmino de Oliveira, M∴M∴: iniciado em 17 de setembro de 1977. É filiado à Loja Maçônica Perfeita União II, de Arapiraca e à Loja Maçônica Tiradentes XI, de Maceió. É Deputado Federal Maçônico e detentor do Grau 15, do REAA.

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