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Crise diplomática: Meloni reage após Trump afirmar que ela pediu foto no G7 e fala em desrespeito à Itália

A relação entre a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sofreu um novo abalo nesta sexta-feira (19), após declarações do líder americano sobre um encontro entre os dois durante a cúpula do G7, realizada nesta semana em Évian-les-Bains, na França.

Trump afirmou, em entrevista à emissora italiana La7, que Meloni teria insistido para ser fotografada ao seu lado durante o evento internacional. Segundo a tradução divulgada pelo canal, o presidente americano declarou que a premiê italiana “implorou” por uma foto e que ele aceitou o pedido apenas por sentir pena dela.

As declarações provocaram forte reação do governo italiano. Em pronunciamento, Meloni classificou a versão apresentada por Trump como “completamente inventada” e afirmou ter ficado surpresa com a postura do aliado de longa data.

Nem eu nem a Itália jamais imploramos”, declarou a chefe de governo, rebatendo diretamente as falas do presidente americano.

A líder italiana também criticou o tratamento dispensado por Trump aos parceiros históricos dos Estados Unidos. Sem citar outros países, ela afirmou considerar decepcionante que o mandatário demonstre mais compreensão com adversários do Ocidente do que com nações aliadas.

O episódio ocorreu poucos dias após a cúpula do G7 ter sinalizado uma aparente reaproximação entre os dois líderes. Imagens divulgadas durante o encontro mostraram Meloni e Trump conversando de forma reservada e aparentemente amistosa, alimentando a percepção de que as divergências recentes estavam sendo superadas.

Na entrevista, porém, Trump minimizou a importância do diálogo. Ao ser questionado sobre a premiê italiana, afirmou que ela provavelmente estava satisfeita apenas por ter conversado com ele e sugeriu que o encontro não era algo que ele considerasse necessário.

A crise diplomática teve reflexos imediatos. O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, anunciou o cancelamento de uma viagem oficial aos Estados Unidos prevista para os dias 21 e 22 de junho. Em nota, o chanceler classificou as declarações de Trump como “graves e ofensivas”, argumentando que os comentários não atingem apenas Meloni, mas também a própria Itália.

A deterioração da relação entre os dois líderes contrasta com o cenário observado após a vitória eleitoral de Trump. Na época, Meloni foi uma das principais apoiadoras europeias do republicano e a única chefe de governo do continente a participar de sua cerimônia de posse, em 2025.

Nos meses seguintes, entretanto, o alinhamento político começou a se desgastar. A premiê italiana passou a adotar posições mais críticas ao presidente americano, especialmente após os desdobramentos da guerra envolvendo o Irã e as críticas feitas por Trump ao papa Leão XIV por declarações relacionadas ao conflito no Oriente Médio.

O afastamento provocou sucessivas trocas de críticas entre os dois governos. Em uma das ocasiões, Trump chegou a acusar Meloni de agir com falta de coragem diante dos desafios internacionais.

Com informações do El País.

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