O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira, após participar da cúpula do G7, que não solicitou uma reunião bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, porque as negociações entre os dois países já estão sendo conduzidas pelos canais diplomáticos e comerciais.
Questionado sobre a pouca interação entre os dois líderes durante o encontro, Lula disse que é natural que chefes de Estado não conversem com todos os participantes em eventos multilaterais e ressaltou que as pautas de interesse entre Brasil e Estados Unidos já estão sendo discutidas por suas respectivas equipes.
“Quando faz uma reunião do G7, do G20 ou dos BRICS, a gente não conversa com todos os presidentes a toda hora. Muitas vezes não tem assunto para discutir toda hora. O que você consegue é fazer as bilaterais com quem você quer conversar. E eu não pedi bilateral para o Trump porque nós estamos em negociação”, afirmou.
O presidente classificou como “desproporcional” a postura adotada pelos Estados Unidos em temas que envolvem o Brasil, mas afirmou confiar no trabalho conduzido pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e pelos negociadores brasileiros.
Lula revelou ainda ter entregue pessoalmente a Trump uma série de documentos sobre combate ao crime organizado, comércio bilateral, minerais estratégicos e terras raras, além de um texto sobre o acordo nuclear firmado por Brasil e Turquia com o Irã em 2010.
Segundo o presidente, um dos documentos destaca a atuação da Polícia Federal no enfrentamento às organizações criminosas e defende uma cooperação mais estreita entre os dois países. Lula afirmou ter informado ao governo norte-americano que grande parte das armas apreendidas no Brasil tem origem nos Estados Unidos e mencionou preocupações relacionadas à lavagem de dinheiro envolvendo criminosos brasileiros.
“O Brasil está muito disposto a cooperar no combate ao crime organizado”, declarou.
Durante a entrevista, Lula também comentou declarações recentes de Trump sobre a política brasileira e saiu em defesa do sistema eleitoral do país. O presidente afirmou que o líder norte-americano conhece pouco a realidade brasileira e pediu respeito à soberania nacional e rebateu as críticas ao processo eleitoral brasileiro. Lula destacou a confiabilidade das urnas eletrônicas e afirmou que o sistema permite uma apuração rápida, segura e transparente dos resultados.
“O Brasil realiza eleições tranquilas e seguras. Se alguém precisa conhecer melhor o nosso sistema eleitoral é o companheiro Trump, os EUA poderiam aprender com o Brasil”, afirmou.
O presidente também declarou que Trump tem o direito de manter afinidade política com o ex-presidente Jair Bolsonaro e sua família, mas ressaltou que isso não deve resultar em interferência nos assuntos internos do Brasil.
“Ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto. É um problema dele. Afinal de contas, gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque a eleição do Brasil é um problema do Brasil, como as eleições americanas são um problema deles, não é um problema meu“, afirmou.




