O governo dos Estados Unidos classificou como uma vitória estratégica a morte de Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como Niño Guerrero, apontado como o principal líder da organização criminosa Tren de Aragua. A operação, realizada em coordenação com autoridades venezuelanas, ocorreu na sexta-feira (12) e foi apresentada por integrantes da administração de Donald Trump como um duro golpe contra o crime organizado na América Latina.
Autoridades americanas destacaram neste sábado (13) que a ação demonstra o compromisso de Washington em combater grupos envolvidos com narcotráfico, tráfico de armas e outras atividades criminosas transnacionais. A avaliação é de que a morte de Guerrero representa um recado às organizações que atuam em diversos países do continente.
O presidente Donald Trump confirmou a operação e afirmou que o Comando Sul dos Estados Unidos conduziu uma ação rápida contra o chefe da facção venezuelana. O republicano também divulgou imagens aéreas da ofensiva, que mostram uma explosão no local atingido.
Facção expandiu atuação pela América Latina
Fundado na Venezuela, o Tren de Aragua se tornou uma das maiores organizações criminosas da região. O grupo está presente em países como Colômbia, Peru, Chile e Brasil, onde investigações apontam atuação especialmente em áreas próximas à fronteira com a Venezuela.
A facção é associada a uma série de crimes, incluindo tráfico de drogas e armas, exploração sexual, extorsão, transporte ilegal de migrantes e atividades ligadas ao garimpo clandestino.
Nos Estados Unidos, o grupo passou a ser tratado como uma das principais ameaças ligadas ao crime organizado internacional. Nos últimos anos, o governo americano ampliou operações voltadas ao combate de rotas de tráfico no Caribe e no Pacífico, além de intensificar ações contra integrantes da organização.
Ascensão de Niño Guerrero
Nascido em 1983 na cidade de Maracay, no estado venezuelano de Aragua, Guerrero iniciou sua trajetória criminosa no início dos anos 2000. Sua notoriedade aumentou após envolvimento em crimes violentos, incluindo o assassinato de um policial durante um ataque a uma delegacia em 2005.
Em 2010, foi preso por homicídio, tráfico de drogas e roubo, sendo enviado para a prisão de Tocorón. Dois anos depois, conseguiu fugir da unidade prisional, tornando-se um dos criminosos mais procurados da Venezuela. Ele foi recapturado em 2013 e retornou ao mesmo presídio.
Em 2018, recebeu condenação de 17 anos de prisão por diversos crimes, entre eles homicídio, tráfico de drogas, falsificação de identidade e posse de armamentos de guerra. Apesar da sentença, continuou exercendo influência sobre a organização criminosa.
O presídio que virou símbolo do poder da facção
Mesmo encarcerado, Niño Guerrero manteve o controle do Tren de Aragua e transformou a prisão de Tocorón em um dos maiores símbolos do poder da facção.
Durante anos, o complexo penitenciário operou com uma estrutura incomum, incluindo piscina, boate, cassino, estádio de beisebol, restaurantes, bares, caixas eletrônicos, áreas comerciais e até um zoológico com animais exóticos.
Em 2023, uma megaoperação das forças de segurança venezuelanas retomou o controle da unidade. No local, foram encontrados arsenais de guerra, explosivos, túneis clandestinos e diversas estruturas utilizadas pelo grupo criminoso. Guerrero, entretanto, conseguiu escapar antes da chegada dos agentes.
Acusações nos Estados Unidos
A pressão sobre o líder do Tren de Aragua aumentou no fim de 2025, quando ele passou a responder a acusações na Justiça americana por extorsão, terrorismo, tráfico internacional de drogas e crimes relacionados ao uso de armas de fogo.
As autoridades dos Estados Unidos ofereciam recompensa de até US$ 5 milhões por informações que levassem à sua captura.
O nome de Guerrero também apareceu em um processo federal que envolve o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, além de outras autoridades do alto escalão venezuelano.
Com a morte de Niño Guerrero, o governo americano considera ter eliminado uma das figuras mais influentes do crime organizado latino-americano. Especialistas, porém, avaliam que a estrutura do Tren de Aragua permanece ativa em diferentes países e que a organização ainda representa um desafio para as forças de segurança da região.




