Música, abraços demorados, lágrimas de emoção e incontáveis demonstrações de carinho transformaram um espaço em Campo Grande (MS) em palco para uma celebração incomum e profundamente humana neste fim de semana. A festa foi organizada por Tiago Martins Pitthan, de 49 anos, que decidiu reunir as pessoas que ama para celebrar a própria vida enquanto ainda pode sentir cada abraço, ouvir cada história e agradecer cada gesto de afeto.
Diagnosticado com um câncer de estômago em estágio avançado e sem possibilidade de cura, Tiago escolheu desafiar a tristeza que normalmente acompanha as despedidas. Em vez do silêncio e da dor, preferiu o som do samba, o tilintar dos copos de chope, os sorrisos compartilhados e a presença daqueles que marcaram sua trajetória.
Entre flores, reencontros e lembranças, o que aconteceu não foi exatamente um velório, mas uma grande homenagem à vida. Familiares, amigos e até pessoas que viajaram de outros estados se reuniram para celebrar um homem que decidiu não permitir que a doença fosse o capítulo mais importante de sua história.
A ideia nasceu de uma reflexão feita durante o velório de seu pai, em 2024. Enquanto ouvia histórias, risadas e memórias sendo compartilhadas, Tiago percebeu a ausência mais significativa daquele momento: a do próprio homenageado. Foi ali que surgiu o desejo de viver, em primeira pessoa, as homenagens que normalmente chegam tarde demais para serem ouvidas.
O encontro, inicialmente pensado para um círculo íntimo, ganhou proporções maiores e acabou tocando pessoas de diferentes partes do país, atraídas pela forma corajosa e serena com que ele escolheu enfrentar a finitude.
A história da doença começou após a virada de 2023 para 2024, quando, durante uma viagem a Bonito, Tiago percebeu que algo não estava bem. Depois de uma série de exames, veio o diagnóstico de adenocarcinoma gástrico. A esperança de uma cirurgia deu lugar à constatação de que o câncer já havia se espalhado para outras regiões do organismo.
Desde então, ele passou a enxergar o tempo sob outra perspectiva. Em vez de contar os dias, decidiu preenchê-los. Em vez de concentrar suas forças na proximidade da morte, escolheu direcioná-las à intensidade da vida.Vestido especialmente para a ocasião, Tiago caminhou entre os convidados recebendo abraços, ouvindo relatos emocionados e participando das apresentações musicais preparadas para aquele dia. Em cada canto havia emoção, mas também gratidão. Havia lágrimas, mas elas dividiam espaço com gargalhadas. Havia despedidas, mas sobretudo celebração.
Ao final, o encontro deixou uma mensagem poderosa para todos os presentes: a vida não se mede apenas pelo tempo que dura, mas pela intensidade com que é vivida. E naquele sábado, cercado por amor, música e memórias, Tiago mostrou que, mesmo diante da finitude, ainda havia muito o que celebrar.




