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Inflação explode nos EUA e amplia pressão sobre Trump

Com inflação pressionada pela alta da energia e impactos da guerra no Oriente Médio, a economia dos Estados Unidos enfrenta um cenário de desaceleração do consumo, perda de renda das famílias e crescente pressão sobre o governo do presidente Donald Trump. As informações foram divulgadas pela agência Reuters nesta quinta-feira (28).

Os dados mostram que a inflação americana acelerou em abril no ritmo mais forte dos últimos três anos, impulsionada principalmente pelo aumento dos preços da gasolina e da energia após a escalada do conflito entre Irã e Israel, que afetou o transporte marítimo no Estreito de Ormuz e elevou os custos globais de combustíveis e matérias-primas.

Segundo os indicadores econômicos, o índice de preços PCE — referência utilizada pelo Federal Reserve para monitorar a inflação — registrou forte pressão sobre os consumidores. O aumento dos preços da energia chegou a 5,5% no mês, enquanto os alimentos subiram 0,5%.

A inflação subjacente, que exclui alimentos e energia por serem considerados itens mais voláteis, avançou 3,3% em relação ao mesmo período do ano passado. No comparativo mensal, a alta foi de 0,2%.

O avanço da inflação reforçou entre economistas a avaliação de que o banco central americano deverá manter os juros elevados por um período mais longo. O mercado financeiro já projeta que as taxas permanecerão na faixa entre 3,50% e 3,75% até pelo menos 2027.

As atas da reunião mais recente do Fed também apontaram que parte dos dirigentes da instituição já admite a possibilidade de novos aumentos de juros caso a inflação continue resistente.

O impacto da alta de preços vem atingindo diretamente o orçamento das famílias americanas. A renda disponível, já descontada a inflação, caiu pelo terceiro mês consecutivo em abril, enquanto a taxa de poupança recuou para 2,6%, o menor nível desde junho de 2022.

Ao mesmo tempo, consumidores têm recorrido às economias pessoais para manter os gastos. O consumo das famílias, responsável por mais de dois terços da atividade econômica dos Estados Unidos, subiu 0,5% em abril. Porém, quando descontada a inflação, o crescimento real foi de apenas 0,1%.

O aumento do custo de vida também começa a gerar desgaste político para Trump. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada recentemente mostrou queda na aprovação do presidente, inclusive entre eleitores republicanos. A inflação havia sido um dos principais temas da campanha presidencial de 2024, quando Trump prometeu reduzir os preços e melhorar o poder de compra da população.

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