A Justiça italiana decidiu nesta sexta-feira revogar a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli ao Brasil, após acolher um recurso apresentado por sua defesa. A decisão foi tomada pela Corte de Cassação de Roma, instância máxima do Judiciário da Itália, e representa uma reviravolta no caso que vinha sendo acompanhado pelo governo brasileiro.
Com o entendimento da Corte, Zambelli poderá deixar a prisão e passa a responder em liberdade no território italiano. A defesa sustentou que a parlamentar estaria sendo alvo de perseguição política no Brasil, alegou riscos à sua integridade física caso retornasse ao país e destacou o fato de ela possuir cidadania italiana.
Apesar da vitória judicial, a situação da ex-deputada ainda não está totalmente resolvida. Um segundo processo de extradição segue em tramitação na Itália, relacionado ao caso de porte ilegal de arma, e ainda aguarda julgamento definitivo.
Os fundamentos da decisão da Corte italiana ainda não foram divulgados oficialmente. Nos bastidores, porém, integrantes da diplomacia brasileira receberam o resultado com surpresa, já que todas as decisões anteriores da Justiça italiana haviam sido desfavoráveis a Zambelli.
A avaliação de autoridades brasileiras é de que a Corte de Cassação pode ter identificado alguma irregularidade no andamento do processo na Itália ou até mesmo questionamentos ligados ao processo conduzido no Brasil.
O caso agora segue para análise do governo italiano. Integrantes da diplomacia da Itália já haviam informado ao Brasil que a posição oficial do Executivo seria baseada no entendimento final da Justiça de Roma. Por isso, a reversão da extradição foi considerada inesperada.
No mês passado, uma corte italiana de instância inferior havia autorizado o envio de Zambelli ao Brasil. A ex-deputada foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal a 10 anos de prisão pela invasão aos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça, em ação realizada ao lado do hacker Walter Delgatti.
Após a condenação, Zambelli deixou o Brasil e acabou presa em território italiano em 29 de julho de 2025. Desde então, enfrentava uma série de disputas judiciais relacionadas ao pedido de extradição apresentado pelas autoridades brasileiras.
Caso fosse devolvida ao Brasil, a previsão era de que a ex-deputada cumprisse pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.




