Tarifaço dos EUA gera desgaste para Flávio Bolsonaro e amplia discurso de defesa da soberania nacional
A decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros passou a ser vista por lideranças do centrão e até por aliados do senador como um fator de desgaste para seu projeto presidencial. A avaliação predominante em setores políticos de Brasília é que o parlamentar acabou associado a uma crise diplomática e comercial que fortaleceu o discurso do governo do presidente Lula.
Nos bastidores, dirigentes partidários afirmam que o senador não avaliou adequadamente os possíveis impactos políticos de sua aproximação com o presidente americano em meio ao agravamento das tensões entre os dois países. A leitura é que o episódio ocorreu em um momento delicado, marcado também pela repercussão do chamado caso Master, que já havia provocado questionamentos sobre o pedido de dinheiro do parlamentar a Daniel Vorcaro.
Entre os pontos apontados por essas lideranças está a repercussão da decisão norte-americana de classificar o CV e o PCC como organizações terroristas. O anúncio ocorreu após encontro entre Flávio Bolsonaro e Trump, e o senador chegou a destacar publicamente sua proximidade com a medida. Entretanto, interlocutores políticos avaliam que os efeitos econômicos e diplomáticos decorrentes da decisão acabaram sendo subestimados.

O novo aumento tarifário intensificou essas preocupações. Integrantes do centrão acreditam que a medida pode provocar desgaste adicional para o senador, sobretudo se forem adotadas novas ações por parte dos Estados Unidos que atinjam interesses sensíveis da economia brasileira. Entre as hipóteses discutidas está uma eventual ofensiva contra o sistema de pagamentos Pix, tema que tem despertado atenção crescente no debate público.
A repercussão do conflito também ganhou força nas redes sociais. Levantamento realizado pela empresa AtivaWeb Datalab registrou cerca de 15 milhões de interações relacionadas ao embate entre os governos brasileiro e americano até a tarde de terça-feira (2). Segundo o monitoramento, aproximadamente 78% das manifestações apresentavam caráter negativo em relação a Trump e à família Bolsonaro. Os conteúdos positivos representavam 11,7%, enquanto as menções classificadas como neutras somavam 10,3%.
Nas primeiras horas após o anúncio das tarifas, o volume de publicações já havia alcançado 8,6 milhões de menções. Pouco tempo depois, esse número praticamente dobrou, demonstrando a velocidade com que o tema se espalhou pelas plataformas digitais.
A análise da AtivaWeb indica que a defesa da soberania nacional se consolidou como o principal eixo de mobilização nas discussões online. O tema ultrapassou divisões partidárias e reuniu usuários de diferentes posições ideológicas em torno da percepção de que interesses nacionais estariam sendo afetados pela escalada das tensões entre Brasília e Washington.
O levantamento também identificou crescimento expressivo das referências à família Bolsonaro associadas ao debate sobre interesses brasileiros. Segundo a empresa, houve forte rejeição à ideia de que disputas políticas internacionais possam gerar impactos econômicos para o país.

No universo de interações envolvendo os irmãos Flávio e , 69% apresentavam avaliação negativa, enquanto 18% eram positivas e 14% neutras. O monitoramento aponta que grande parte das críticas esteve relacionada à percepção de conflito entre estratégias políticas e os interesses nacionais.
Trump também apareceu entre os principais personagens do debate digital. De acordo com a análise, a rejeição ao presidente americano esteve ligada principalmente à avaliação de que suas medidas representam pressão econômica e interferência em assuntos de interesse do Brasil. Quando as discussões destacavam os possíveis efeitos econômicos e políticos das decisões adotadas por Washington, os índices de desaprovação aumentavam de forma significativa.




