O governador de Alagoas, Paulo Dantas, comentou nesta sexta-feira (24) a decisão do vice-governador Ronaldo Lessa de deixar o grupo governista e se alinhar à oposição. A fala do chefe do Executivo estadual mescla surpresa, respeito institucional e confiança no desempenho eleitoral do grupo político que lidera.
“Minha relação com Ronaldo é uma relação muito boa. Eu tenho certeza que é boa também com o governador Renan Filho, com o senador Renan Calheiros. Eu achei muito estranho essa posição do vice-governador Ronaldo Lessa, mas ele é maior de idade, nós vivemos uma democracia, uma liberdade e ele tomou a decisão dele. Nós temos que respeitar”, afirmou.
Apesar do tom inicial conciliador, Dantas deixou claro que a disputa política está posta e projetou derrota do agora adversário em 2026.
“E nós vamos democraticamente vencê-lo nessa eleição. Eu queria muito que ele não sofresse uma derrota agora em 2026, mas infelizmente ele vai perder, porque o povo de Alagoas sabe verdadeiramente quem é que trabalha, quem é que entrega, quem é que tem compromisso, não apenas com Maceió, nós temos compromisso com os 102 municípios do estado de Alagoas”, declarou.
O governador também citou ações e entraves administrativos ao mencionar a construção de creches na capital, reforçando o argumento de atuação direta do Estado.
“Em Maceió, por exemplo, eu queria construir 30 creches. Não consegui, consegui construir apenas 4, porque construí nos terrenos do próprio estado e quem banca, quem gerencia as creches é o próprio estado, sem ter direito ao custeio, às matrículas que promovem receita para os municípios”, disse.
Ao final, adotou um tom mais enfático e resumiu sua posição política diante do novo cenário: “Mas é assim mesmo, estamos felizes, estamos cada vez mais fortes e certos de que dessa vez nós vamos repetir o feito de 2022, vai ser barba, cabelo e bigode. Quem ficar contra a gente vai perder“.
A manifestação de Paulo Dantas revela uma estratégia política bem definida: preservar a institucionalidade ao reconhecer a legitimidade da decisão de Ronaldo Lessa, mas sem abrir mão de marcar posição firme no campo eleitoral. O discurso equilibra respeito democrático com assertividade, evitando personalizar excessivamente o embate e deslocando o foco para entregas administrativas e capilaridade do governo nos municípios.
A fala cumpre dupla função: responde ao movimento do vice-governador sem tensionar institucionalmente o governo e, ao mesmo tempo, antecipa o tom da disputa eleitoral, com ênfase em resultados, estrutura política e confiança no eleitorado alagoano.




