O homem preso pela morte do próprio filho, um menino de 11 anos encontrado acorrentado dentro de casa na zona leste de São Paulo, já acumulava uma longa ficha de ocorrências policiais envolvendo episódios de violência doméstica e agressões familiares.
Chris Douglas, apontado pela Polícia Civil como responsável pela tortura e morte do garoto Kratos Douglas, possui registros policiais desde o fim da década de 1990. Apesar de ser formado em pedagogia e já ter atuado como professor, ele trabalhava atualmente como motorista de aplicativo na capital paulista.
Documentos obtidos pelo portal Metrópoles mostram que Douglas apareceu como autor em ao menos três boletins de ocorrência registrados entre 2018 e 2021. Um dos casos envolve agressões contra a ex-esposa, mãe da criança morta. Na ocasião, a Justiça concedeu medida protetiva em favor da mulher.
O corpo de Kratos foi encontrado na noite da última segunda-feira (11), em um imóvel localizado no bairro Cidade Kemel, na zona leste paulistana. O menino vivia na residência com o pai, a madrasta, a avó paterna e dois irmãos, de 2 e 12 anos.
Segundo a polícia, a criança apresentava diversos hematomas espalhados pelos braços, mãos e pernas, além de sinais de desnutrição. O garoto também não frequentava a escola.
O caso começou a ser investigado após profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) acionarem a Polícia Militar ao suspeitarem de maus-tratos durante o atendimento da ocorrência.
Quando chegaram ao imóvel, os policiais encontraram o menino caído no chão de um dos quartos da casa, próximo à cama. Em depoimento, Chris Douglas admitiu que costumava prender o filho com correntes para impedir que ele saísse à rua, mas negou outras agressões ou práticas de tortura.
A madrasta e a avó paterna confirmaram aos investigadores que sabiam que a criança era mantida acorrentada dentro de casa. Apesar disso, as duas não foram presas e responderão à investigação em liberdade pelo crime de tortura.
Outras duas crianças estavam no imóvel no momento da ação policial. Uma delas possui diagnóstico de autismo. O Conselho Tutelar acompanha o caso.
A residência passou por perícia e a Polícia Civil apreendeu computadores, notebook, tablet, três celulares e seis cartões de memória. Os investigadores também descobriram que o imóvel possuía um sistema interno de monitoramento por câmeras, cujas imagens serão analisadas para ajudar a esclarecer a rotina da criança e a dinâmica das agressões.
O caso é investigado pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).




