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Estudante de medicina faz chacota durante estágio em UBS de Paço do Lumiar, e prefeitura rompe convênio com universidade privada

Uma publicação feita por um estudante de medicina de uma universidade particular de São Luís provocou indignação nas redes sociais e desencadeou uma crise entre a Prefeitura de Paço do Lumiar, na Região Metropolitana da capital maranhense, e a instituição de ensino superior onde o aluno estuda.

O universitário, identificado como Rian Xavier, publicou um vídeo enquanto realizava estágio em uma unidade básica de saúde do município. Nas imagens, ele ironiza o local ao reclamar de ter usado um “tênis branquinho” durante a atividade e se refere à cidade de forma pejorativa, chamando-a de “C*do Maranhão”. A gravação rapidamente se espalhou pelas redes sociais e gerou forte repercussão entre moradores da cidade.

A reação mais dura veio do prefeito de Paço do Lumiar, Fred Campos, que anunciou o rompimento do convênio entre o município e a universidade responsável pelo curso de medicina.Em vídeo divulgado nas redes sociais, o gestor classificou a fala do estudante como ofensiva e incompatível com a formação de um profissional da saúde.

“Claramente, no vídeo, a gente percebe o nível baixo de médico que a gente vai formar, que o Estado do Maranhão vai jogar para cuidar da sociedade”, afirmou o prefeito.

Fred Campos também declarou que encaminhou representação criminal ao Ministério Público do Maranhão e à Delegacia de Polícia para investigação por injúria qualificada. Segundo ele, nenhum estudante da instituição poderá realizar estágio nas unidades de saúde municipais até que a universidade apresente medidas concretas relacionadas à formação ética e social dos alunos.

“Antes de oferecer um curso de medicina, tem que oferecer um curso social para a pessoa aprender a viver em sociedade”, disse.

O caso impõe discussões sobre a qualidade da formação em cursos privados de medicina no Brasil, especialmente diante da rápida expansão dessas graduações nos últimos anos. Para especialistas em educação, episódios desse tipo evidenciam não apenas problemas individuais de conduta, mas também lacunas institucionais relacionadas à formação humanística e ao compromisso social exigidos de profissionais da saúde.

A situação também amplia o debate sobre a necessidade de o Ministério da Educação intensificar os mecanismos de fiscalização e avaliação das universidades privadas, sobretudo em cursos de alta responsabilidade social, como medicina. Em meio ao crescimento acelerado do setor privado no ensino superior, críticos apontam que a ampliação de vagas nem sempre vem acompanhada de investimentos proporcionais em qualidade acadêmica, estrutura e formação ética.

Ao mesmo tempo, o episódio recoloca em pauta o papel das universidades públicas brasileiras, historicamente reconhecidas como referência em ensino, pesquisa e extensão. Mesmo sob constantes ataques políticos e frequentes ameaças de cortes orçamentários por grupos da direita liberal e conservadora — cenário que recentemente ganhou força na Argentina com o governo de Javier Milei e os bloqueios ao financiamento universitário — as instituições públicas seguem concentrando parte significativa da produção científica do país e mantendo forte atuação social junto à população.

Nesse contexto, educadores defendem que fortalecer as universidades públicas e ampliar a supervisão sobre o ensino privado não são medidas excludentes, mas complementares para garantir qualidade na formação profissional e responsabilidade social em áreas estratégicas como a saúde pública.

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