A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro apresentou à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF) a proposta de delação premiada no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master. A entrega do material marca o início de uma nova fase do processo, em que serão discutidos os termos do eventual acordo, incluindo benefícios penais e valores a serem devolvidos aos cofres públicos.
No Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela condução do inquérito, a sinalização é clara: a homologação da colaboração estará condicionada à devolução integral dos valores obtidos por meio de corrupção. O entendimento segue a atual tendência da Corte de endurecer critérios em acordos dessa natureza, especialmente em casos com impacto financeiro relevante
A estrutura da colaboração foi organizada em anexos independentes, cada um dedicado a um episódio específico de supostas irregularidades. Nos documentos, Vorcaro detalha práticas ilícitas que afirma ter cometido, descreve a participação de terceiros e indica provas que podem ser apresentadas caso o acordo avance. O conteúdo inclui a identificação de envolvidos, a dinâmica dos fatos investigados e os elementos que sustentariam as acusações.
Com a formalização dessa etapa, o material passará a tramitar sob sigilo. A partir daí, defesa e autoridades devem negociar condições como redução de pena e definição de regime de cumprimento. Nos bastidores, a avaliação predominante é de que não há espaço para concessão de perdão judicial ao ex-banqueiro.
Outro ponto central da negociação será o cálculo dos valores que Vorcaro deverá restituir ao Estado, seja por meio de multas, seja como ressarcimento pelos prejuízos apontados nas investigações.
Outro ponto central da negociação será o cálculo dos valores que Vorcaro deverá restituir ao Estado, seja por meio de multas, seja como ressarcimento pelos prejuízos apontados nas investigações.
Enquanto as tratativas avançam, a defesa do ex-banqueiro tem mantido presença frequente na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde os depoimentos vêm sendo colhidos de forma contínua.
Vorcaro está custodiado na capital federal desde 19 de março, após transferência autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito que apura as irregularidades relacionadas ao Banco Master. A medida teve como objetivo viabilizar as negociações da colaboração premiada.
A trajetória judicial do ex-banqueiro inclui duas prisões recentes. A primeira ocorreu em 17 de novembro, no aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para o exterior. A Polícia Federal sustentou que havia risco de fuga, enquanto a defesa alegou que a viagem tinha como objetivo buscar investidores para a instituição financeira. Ele foi liberado dez dias depois, mas voltou a ser preso em 4 de março, durante a operação Compliance Zero, que também teve como alvo servidores do Banco Central.




