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Maceió aparece entre as três capitais com pior qualidade de vida do Brasil, aponta IPS 2026

O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, divulgado nesta quarta-feira (20), expôs um cenário de desigualdade persistente no país e colocou Maceió entre as capitais com pior qualidade de vida do Brasil. No levantamento, que avaliou os 5.570 municípios brasileiros a partir de 57 indicadores sociais e ambientais, a capital alagoana aparece com 61,96 pontos e ocupa a terceira pior posição entre as capitais brasileiras.

A cidade fica à frente apenas de Macapá (AP), com 59,65 pontos, e Porto Velho (RO), que registrou 58,59. O resultado evidencia dificuldades históricas relacionadas ao acesso a serviços, inclusão social e oportunidades para a população.

O IPS mede a capacidade de uma sociedade atender às necessidades humanas básicas, garantir qualidade de vida e criar condições para que as pessoas desenvolvam plenamente seu potencial. Diferentemente de rankings baseados apenas em desempenho econômico, o estudo prioriza os impactos reais percebidos pela população no cotidiano.

Para isso, o índice utiliza 57 indicadores sociais e ambientais construídos com dados públicos, atualizados e de ampla cobertura territorial. Entre os critérios analisados estão saúde, educação, moradia, segurança, qualidade ambiental e inclusão social.

Segundo Melissa Wilm, coordenadora do IPS Brasil, a proposta do levantamento é avaliar a efetividade das políticas públicas e não apenas o volume de investimentos realizados pelos governos.

“O IPS mede resultados e não volume de investimentos ou riqueza. O que nos interessa é saber se os serviços públicos estão, de fato, sendo entregues aos cidadãos”, afirmou.

No ranking das capitais, Curitiba (PR) lidera com 71,29 pontos, seguida de Brasília (DF), com 70,73, e São Paulo (SP), com 70,64. Campo Grande (MS), com 69,77, e Belo Horizonte (MG), com 69,66, completam as cinco primeiras posições.

Em um grupo intermediário aparecem Rio de Janeiro (RJ), com 67 pontos, Porto Alegre (RS), com 66,94, e Natal (RN), que alcançou 66,82 pontos.

A distância de mais de 12 pontos entre a capital mais bem avaliada e a última colocada revela o tamanho das desigualdades sociais existentes entre as regiões brasileiras. Mesmo nos grandes centros urbanos, onde há maior concentração de infraestrutura e serviços públicos, o levantamento aponta dificuldades estruturais importantes.

De acordo com Melissa Wilm, todas as capitais brasileiras apresentam fragilidades relevantes no componente de inclusão social, especialmente em indicadores ligados à violência contra minorias, aumento da população em situação de rua e baixa representatividade de mulheres e pessoas negras nas câmaras municipais.

No caso de Maceió, o resultado escancara um contraste já percebido em diferentes áreas da cidade: enquanto investimentos urbanos e o crescimento do setor turístico impulsionam parte da economia, indicadores sociais continuam revelando dificuldades profundas enfrentadas pela população mais vulnerável.

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