O avanço das investigações envolvendo o Banco Master entrou em uma nova fase após o portal Vero Notícias revelar que a Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para abrir uma investigação específica sobre os investimentos realizados pelo Iprev Maceió na instituição financeira.
O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, e trata do aporte de R$ 117 milhões feito pelo instituto previdenciário municipal em letras financeiras do banco. Segundo a apuração, a Polícia Federal suspeita de possível fraude e falsificação na decisão do Conselho do Iprev que autorizou a transferência dos recursos.
O tema ganhou ainda mais repercussão após declarações do senador Renan Calheiros durante agenda pública em Arapiraca. Ao comentar o caso, o parlamentar afirmou que as informações divulgadas na semana indicavam que a Polícia Federal já havia solicitado autorização ao Judiciário para aprofundar as investigações.
Renan classificou a situação envolvendo o Iprev de Maceió como a mais grave entre os casos relacionados ao Banco Master e destacou que os recursos aplicados pertencem aos aposentados e pensionistas do município.
“Esse caso é o mais grave, porque foram R$ 117 milhões dos aposentados e pensionistas aportados em letras financeiras do Master. São R$ 117 milhões perdidos, porque esses recursos não têm a garantia do FGC”, afirmou o senador.
Na sequência, o parlamentar cobrou explicações da Prefeitura de Maceió sobre a decisão de realizar os investimentos no banco.
“Então, o prefeito precisa dar essas explicações. Por que é que naquele momento, quando todo mundo sabia que o banco iria quebrar, ele aportou esse dinheiro do Iprev, que é o fundo de previdência da Prefeitura de Maceió?”, questionou.
As investigações sobre o Banco Master avançam em diferentes estados e envolvem aplicações realizadas por regimes próprios de previdência social. A Polícia Federal identificou que a instituição financeira captou aproximadamente R$ 1,87 bilhão junto a fundos previdenciários até dezembro de 2024, pouco antes da liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025.
Grande parte dos recursos foi direcionada para letras financeiras sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), modalidade considerada de maior risco. Entre os maiores investidores aparece o Iprev de Maceió, com aproximadamente R$ 117 milhões aplicados em operações ligadas ao banco.
Especialistas e órgãos de controle avaliam que esses recursos não serão recuperados, nesse caso estados e municípios terão a obrigação de realizar aportes para recompor o equilíbrio atuarial de seus regimes próprios de previdência. Esses aportes virão dos cofres municipais e estaduais diminuindo a capacidade financeira desses entes de executar políticas públicas necessárias para a sua população.




