O avanço das investigações da Polícia Federal sobre aplicações de fundos públicos no Banco Master elevou a pressão sobre regimes próprios de previdência em todo o país e ampliou a preocupação em municípios com alta exposição financeira, como Maceió.Nesta quarta-feira (13), a PF realizou uma nova fase da investigação em São Paulo, tendo como alvo o Instituto de Previdência Social de Cajamar. Os investigadores apuram a destinação de aproximadamente R$ 112 milhões para investimentos no Banco Master e também no Daycoval entre 2023 e 2024.
A operação incluiu mandados de busca e apreensão e pedidos de afastamento cautelar de integrantes da estrutura administrativa e deliberativa do instituto previdenciário paulista. Segundo a investigação, existe risco de interferência na produção de provas, alinhamento de versões entre investigados e possível ocultação patrimonial. O prejuízo potencial estimado pela PF chega a aproximadamente R$ 107 milhões.
As apurações revelam que o Banco Master captou cerca de R$ 1,87 bilhão junto a regimes próprios de previdência social até dezembro de 2024, período anterior à liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. A instituição concentrou aplicações de fundos previdenciários estaduais e municipais em letras financeiras, modalidade sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Entre os maiores investidores aparece o Iprev de Maceió, com aproximadamente R$ 97 milhões aplicados em operações ligadas à instituição financeira. Durante discussões no Senado, o senador Renan Calheiros afirmou que a capital alagoana está entre os entes públicos mais expostos ao caso e demonstrou preocupação com os possíveis reflexos para aposentados e pensionistas do município.
Especialistas e órgãos de controle alertam que o impacto deve ultrapassar os próprios institutos previdenciários. Pela legislação vigente, eventuais déficits nos regimes próprios precisam ser cobertos pelos estados e municípios responsáveis pelos fundos. Na prática, isso significa que perdas financeiras acabarão pressionando diretamente os cofres públicos. Ou seja, a Prefeitura deverá ser obrigada a injetar recursos do próprio Tesouro para recompor o equilíbrio atuarial do sistema, aumentando a pressão sobre as contas públicas da capital.




