A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (7), uma nova etapa da Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. Entre os alvos da ofensiva está o presidente nacional do Progressistas, senador Ciro Nogueira.
Agentes da PF cumprem mandados de busca e apreensão no endereço do parlamentar, em Brasília, nas primeiras horas da operação.
Ao todo, a ação mobiliza o cumprimento de 10 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária. As ordens foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal e estão sendo executadas no Distrito Federal e nos estados do Piauí, São Paulo e Minas Gerais.
A decisão judicial também determinou o bloqueio de bens, direitos e valores que somam R$ 18,85 milhões.
Segundo informações divulgadas pelo blog da Andréia Sadi, a PF identificou indícios de pagamentos mensais recorrentes ao parlamentar e o uso do mandato para atender interesses do banco em propostas legislativas apresentadas no Congresso Nacional.
A ofensiva também tem como alvo Felipe Vorcaro, primo do banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão judicial incluiu suspensão de empresas e monitoramento de investigados apontados no inquérito.
As provas foram reunidas a partir de mensagens interceptadas entre Daniel Vorcaro e Felipe Vorcaro, apontado como operador financeiro do esquema. Os diálogos detalhariam a chamada “parceria BRGD/CNLF”, estrutura que teria viabilizado transferências da BRGD S.A., ligada à família Vorcaro, para a CNLF Empreendimentos, empresa patrimonial vinculada ao senador.
As conversas analisadas pela PF indicariam preocupação dos investigados com o aumento dos valores repassados ao suposto parceiro político. Em junho de 2025, mensagens mencionavam atrasos em pagamentos destinados a “Ciro” e tratavam da possibilidade de manutenção de repasses mensais de R$ 500 mil ou redução para R$ 300 mil.
Os investigadores sustentam que a contrapartida aos pagamentos ocorreria por meio da atuação parlamentar em favor de interesses do Banco Master. O principal episódio citado envolve a emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, apresentada por Ciro Nogueira em agosto de 2024. A proposta defendia elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) por depositante.
Segundo a apuração divulgada pelo blog de Andréia Sadi, a PF concluiu que o texto da emenda teria sido elaborado pela assessoria do próprio Banco Master e entregue diretamente na residência do senador. As mensagens interceptadas mostram ainda que Daniel Vorcaro comemorou a apresentação da proposta nos termos desejados pela instituição financeira, enquanto interlocutores ligados ao banco avaliavam que a mudança poderia multiplicar os negócios da empresa.
Outras iniciativas legislativas também passaram a ser investigadas. Entre elas estão propostas relacionadas ao PATEN e ao SBCE, que, segundo a Polícia Federal, teriam recebido minutas preparadas ou revisadas por integrantes do banco antes de serem encaminhadas ao gabinete parlamentar.
Além da suspeita de pagamentos periódicos, a investigação aponta possíveis vantagens obtidas por meio de operações societárias consideradas fraudulentas. Um dos casos envolve a aquisição de 30% da Green Investimentos S.A. pela CNLF Empreendimentos, formalmente administrada por Raimundo Neto, irmão do senador, em uma operação avaliada em R$ 1 milhão.




