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“As Pernas de Maradona” retrata infância palestina e o fascínio global pelo futebol brasileiro

Em meio à Copa do Mundo de 1990, dois irmãos transformam a busca por uma simples figurinha em uma jornada de sonhos, amizade e descoberta. É assim que o curta-metragem As Pernas de Maradona (Maradona’s Legs), dirigido pelo cineasta palestino Firas Khoury e lançado em 2019, constrói uma narrativa sensível sobre a infância em uma aldeia palestina.

Com 23 minutos de duração, o filme acompanha Rafat e Fadel, dois garotos apaixonados por futebol que vivem a emoção da Copa colecionando figurinhas. Fãs da Seleção Brasileira, eles têm um objetivo claro: completar o álbum do Mundial. Para isso, precisam encontrar a figurinha rara conhecida como “As Pernas de Maradona”. A recompensa pela coleção completa — um videogame — transforma a brincadeira em uma verdadeira aventura pelas ruas e caminhos da comunidade onde vivem.

Mais do que uma história sobre futebol, o curta usa o universo das crianças para abordar o cotidiano palestino sob uma perspectiva leve e humana, marcada por laços de amizade, imaginação e resistência diante das dificuldades.

Um dos momentos mais marcantes do filme acontece quando um dos garotos repreende o amigo por ter deixado de vestir a camisa da Seleção Brasileira. A discussão expressa o sentimento central da película quando ele responde com uma frase que resume o peso simbólico do futebol brasileiro naquele imaginário infantil: “O Brasil não joga para você. Joga para o mundo”.

A fala revela como, mesmo em 1990 — quando o Brasil ainda era tricampeão mundial, com títulos conquistados em 1958, 1962 e 1970 —, a Seleção Brasileira seguia sendo vista como um símbolo universal do futebol. O país ainda buscava encerrar um longo jejum de conquistas, mas sua imagem permanecia associada ao talento, à criatividade e ao chamado “futebol arte”, admirado em diferentes partes do planeta.

Na lógica infantil retratada no filme, vestir a camisa amarela não era apenas uma escolha esportiva, mas uma forma de pertencimento a um imaginário global. A Seleção Brasileira surge como referência cultural, capaz de ultrapassar fronteiras e se tornar parte da identidade de crianças que vivem longe dos grandes centros do futebol.

Produzido em parceria entre Palestina e Alemanha, o curta percorreu festivais internacionais e chamou atenção pela forma delicada com que mistura futebol, infância e contexto social. Em vez de focar apenas no esporte, a obra destaca como o Mundial de 1990 se torna pano de fundo para histórias pessoais carregadas de simbolismo.

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